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Dança na Escola e a Formação do Professor de Educação Física

(Publicado em 3 de outubro de 2011)

Faz parte da rotina dos bancos acadêmicos da Educação Física ainda depararmos com questionamentos acerca do ensino da dança na escola cedido a esta área do conhecimento.

Embora saibamos que os motivos que levam a este fato são diversos e crônicos. Senão vejamos: 1. O ensino da Dança no Brasil é abraçado por profissionais de formações distintas, portanto não há identidade com concepção acadêmica única, tampouco regulamentada; 2. As diretrizes para os cursos superiores de Educação Física, sugeridas pelo Conselho Nacional de Educação – CNE (2004) caracterizam a Dança como uma subárea ensinada muitas vezes em uma ou duas disciplinas com carga horária insuficiente para uma eficiente atuação; 3. Há preconceito cultural relacionado ao ensino da Dança por homens, por tratar-se de ensino de uma arte que implica sensibilidade atrelada sempre às mulheres; 4. Os cursos superiores na área da Dança além de exíguos encontra-se em implantação (exceto alguns cursos como nos Estados do Rio de Janeiro – RJ, Bahia – BA e Paraná – PR) o que faz com que este ensino seja desempenhado por profissionais com formação empírica ou distinta da área – Dança; e, para ratificar os quatro motivos anteriores, identificamos ao alto grau de permissividade que os órgãos fiscalizadores do ensino da Dança o fazem.

O questionamento sobre o ensino da Dança na Escola pela Educação Física corrobora com a dificuldade tratar a Dança, diferentemente do que acontece com modalidades esportivas no ensino superior de Educação Física. A despeito, tais abordagens requerem conhecimentos específicos os quais demandam habilidades motoras, aquisição de técnicas, códigos intrínsecos às atividades, saberes interdisciplinares, entre outras ciências.

Portanto necessitamos esclarecer que para se trabalhar o ensino da Dança é mister discernir o que dançar, o que ensinar, como ensinar e compreender a Dança como uma área do conhecimento que se fundamenta no movimento humano que no meio escolar requer orientação profissional para o seu fazer.

A Dança na Escola faz parte do ensino realizado pelo docente de Educação Física. Este por sua vez terá, dentro de seu empenho e compromisso a incumbência de aplicar o ensino da Dança na Escola como recomenda os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN da Educação Física (1998) e o Conselho Nacional de Educação – CNE (2004). Neste ínterim identificamos os desafios da quebra de uma cultura equivocada e instituída que autoriza qualquer pessoa a ensinar dança.

Marques (2004) observa que ao retratar as técnicas e metodologias para o ensino da dança, mesmo nas escolas formais continuam prevalecendo o rigor e a ditadura aplicada no século XVIII como formas de ensino e aprendizagem. Isto quando o professor é um ex-bailarino e ministra aulas com base em sua experiência como aprendiz, repetindo o que aprendeu sem reflexão crítica e conhecimento específico e aprofundado para ministrar dança, como se somente satisfizesse a experiência como bailarino para tal função.

Percebemos que se o docente for um profissional de Educação Física a abordagem ainda que incipiente, presumimos ser diferenciada. Mesmo com a resistência inicial e comum em parte dos alunos nas Instituições de Ensino Superior – IES, a ação reflexiva e emancipadora que direciona o ensino da Dança Escolar na Educação Física aporta o fazer metodológico e técnico-pedagógico o que conduzirá seguramente para a eficiência deste ensino fincado numa formação contínua em Dança do professor.

Contudo, a reflexão sobre tal formação do docente de Dança na Escola se faz imprescindível para a garantia de zelo na conjuntura que o professor não se torne somente um técnico ou bailarino aprimorado, destinado meramente à aplicação e ao manejo de métodos, mas, sobretudo que o mesmo conecte estes requisitos a uma formação acadêmica de Educação Física para que haja uma intervenção pedagógica e científica e que este docente seja um ser reflexivo, propositivo e protagonista na instrução da Dança na Escola.