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O Tempo é Inexorável!!!

(Publicado em 5 de setembro de 2011)

O homem como tal sempre se preocupou com os problemas decorrentes do processo de envelhecimento, e parece mesmo que, a busca pelo controle do envelhecimento humano não deixa de ser um anseio legítimo. Entretanto, também na sociedade contemporânea pode-se observar que são cada vez mais crescentes as atenções com este fenômeno.

Em geral, a literatura classifica didaticamente os indivíduos acima de 60 anos como idosos, e, participantes da cognominada Terceira Idade, termo que pessoalmente não concordo. Sempre que se fala “terceira” lembro da carne de ‘pescoço’. Recentemente este marco referencial passou para 65 anos, em função principalmente da expectativa de vida e das tentativas legais do estabelecimento da idade para o início da aposentadoria, dentre outros motivos. No entanto, esta idade varia de indivíduo para indivíduo bem como na cultura onde se insere.

Caracterizar a pessoa idosa é um desafio, uma vez que a sua complexidade reside na utopia de traçar um perfil da pessoa em face de suas peculiaridades. As várias capacidades do indivíduo também envelhecem em diferentes proporções, razão porque a idade pode ser biológica, psicológica ou sociológica.

A ONU – Organização Mundial da Saúde classifica o envelhecimento em quatro estágios:

• Meia idade – 45 a 59 anos
• Idoso – 60 a 74 anos
• Ancião – 75 a 90 anos
• Velhice extrema – 90 anos em diante.

Pode-se afirmar que, a trajetória vital do ser humano, começa com a vida extra-uterina, seguindo-se, com a infância, adolescência, casamento, procriação, criação dos filhos, aposentadoria, velhice e morte, propiciando à vida conotações diversificadas e dinâmicas. Convém, porém, a adoção de uma postura transparente em relação ao ser idoso, pois parece que a tendência é estereotipá-lo segundo a faixa etária, desprezando o conceito de que cada pessoa é um ser individual e único, indivisível e que dentro de sua totalidade tem características especiais. Assim, tudo leva a crer que o âmago da questão ancorada no processo de envelhecimento do ser humano, encontra-se mesmo na busca incansável pela longevidade subtraída todas as instâncias conhecidas e próprias do acúmulo dos anos e que configura o declínio das pessoas. Esse comportamento do ser humano, já é conhecido através da mitologia grega e latina repleta de seres imortais, geralmente belos e jovens, sendo que, do mesmo modo, podem ser observadas posturas mais ou menos idênticas nos escritos bíblicos, como por exemplo, no livro do Gênesis que relata o fato após o dilúvio onde, as pessoas passaram a viver por muito mais tempo. De igual modo, ao longo da história muitos escreveram sobre as questões de viver mais, sem envelhecer. Por isso, a título de elucidação e maior clareza, pretende-se evidenciar no quadro demonstrativo abaixo, construído a partir de Santiago (1999) somente algumas situações que abordam o tema sinteticamente.

QUADRO I – REGISTROS SOBRE A VELHICE

FATO ÉPOCA AUTOR (A)
Raça Dourada Sec. VIII a.C. Hesíodo (Grécia)
Catão-o-velho  ou da Velhice 43 a. C. Cícero
1os. Trabalhos Científ. sobre a 3a. idade Séc. XVI Descartes / Bacon / R. Franklin
Estudo Clínico Sobre Senilidade e Doenças Crônicas Séc. XIX (1867) Jean Marie Charcot
Crença que a Velhice resulta da presença de Toxinas no Intestino Grosso 1845 / 1916 Elie Metchinikoff
Teoria da Dissipação do calor Interno 384-322 a. C. Aristóteles / Galeno
Utilização de Vitaminas e Hormônios para o retardamento da velhice Sec. XX Farmácia e Medicina
Transplante de Testículos de Macaco  e Carneiro no homem Séc. XX Medicina / Biologia
Mét. Quelação / Méd. Orotomolecular Séc. XX Química / Farmacologia / Medicina
Congelamento do corpo Séc. XX Medicina / Química / Biologia

Adaptação ANTONELLI (2006)

Na idade moderna, durante os séculos: XVIII e XIX, é possível perceber a melhora das condições de vida e os primeiros destaques visando consolidar os estudos objetivando aumentar a longevidade do ser humano. Porém, chega a revolução industrial e o êxodo rural o que seguramente repercute de forma muito negativa entre os anciãos, porque a família de origem rural protege seus anciãos mas, o mesmo não acontece com as famílias do mundo industrial e urbano. Por conta desses eventos, são produzidos abismos diferenciais nas classes sociais como:

• A relevância social do idoso torna-se muito reduzida;
• As classes mais abastadas financeiramente, cuidam melhor dos seus idosos;
• Reflete-se o descaso com os idosos;
• Surgem as lutas contra as enfermidades próprias da velhice;
• Começam a aparecer formas para camuflar a idade mediante a adoção de remédios, simpatias, fitoterapia e até mesmo magia.

Com o advento da gerontologia, o processo de envelhecimento adquiriu uma nova visão conceitual, considerando-se o processo de envelhecer como aquele que começa ao nascer, ou seja, do berço ao túmulo, e como um processo que varia de acordo com cada órgão, parte e sistema do corpo, de um indivíduo para o outro.

Uma vez que o envelhecimento é um processo biológico geralmente manifestado em todos os níveis de integração do organismo, desde células, órgãos e seu funcionamento, influindo no nível da personalidade e dos grupos humanos, compreensível a dificuldade de indicar um dado cronológico exclusivo para determinar a faixa etária a que pertence o idoso.

Na relação idade cronológica e o estabelecimento do início da velhice, certamente devem ser considerados fatores individuais que se agrupam, merecendo ser destacados entre eles: os morfológicos, os psicológicos, os hereditários, os culturais, os intelectuais e os raciais que são capazes de tentar abranger a velhice não como um período assustador, mas sim, como uma fase irreversível e cheia de transformações, que podem ocorrer mais cedo ou mais tarde nas pessoas alcançadas por esses aspectos.

Os indivíduos afetados por esses fatores sofrem com o correr dos anos de um efeito de decréscimo funcional em seu organismo e tal situação requer adaptações nos níveis, social, psicológico e físico em relação às circunstâncias mudadas ou em processo de mudança.

A idade cronológica, pode ser considerada como perspectiva, ou seja, varia no julgamento de indivíduo para indivíduo. Entretanto, se a ótica de análise for fisiológica, a idade é ainda muito mais variável e quase impossível de ser aferida. Para os fisiologistas, esta pode ter variação de até 30 anos em relação à cronológica. A conceituação cronológica do idoso é, portanto, apenas uma função linear de expectativa de vida.

A velhice não é um processo único, mas a soma de vários outros, distintos entre si. De qualquer modo, é preciso não esquecer que, muito pouco adiantará procurar camuflar as marcas do tempo, ele é inexorável. O recomendável é viver com plenitude e intensidade esta fase da vida humana, porque certamente, ela é a mais rica e importante ao longo da existência de cada um de nós. Finalmente, é bastante interessante sempre recordar: Você é hoje o resultado do que foi ontem!

Grande abraço para todos!