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Pílulas para o Amanhã: Velho na Atualidade e a Necessidade da Renovação.

(Publicado em 8 de outubro de 2011)

Lançando um olhar um pouco mais atencioso que objetiva procurar a localização da pessoa idosa na atualidade, a impressão que fica é que o velho ficou destituído de valores. Entretanto, verifica-se também uma certa ambigüidade nesta relação com o idoso. A pessoa idosa é desvalorizada pela sua decadência física e ao mesmo tempo, re-valorizada pela sua sabedoria. Nesse sentido, paira um desconforto na medida que, de modo geral, somente a sabedoria do idoso que é sempre mais destacada na expressiva maioria dos registros acerca da velhice. Entretanto, acredita-se que é provável a existência de outros valores que, de igual modo, podem ser evidenciados na pessoa idosa.

Nesse sentido, entende-se ser de fundamental importância re-definir e re-configurar o papel do idoso na sociedade atual. Na verdade ele percebeu o progresso e por circunstâncias diversas não acompanhou as exigências do mundo novo e ainda, porque foram raras as vezes que as oportunidades lhe foram oferecidas. Talvez continue a faltar-lhe o essencial; justamente as oportunidades. A experiência de vida diante das mudanças dos valores morais, sociais, culturais e econômicos acaba configurando o que se conhece como choque entre as gerações.

No entanto, a inversão dos valores que são concebidos pelos idosos, de fato é bastante expressiva porque a rigor, nenhum dos valores tradicionais ficou intacto nos últimos vinte anos, sendo que a mesma situação também acontece com usos e costumes. Somando nesse quadro, surge ainda a moda que diminui ainda mais a importância do ser humano frente ao processo de envelhecimento principalmente porque se vive o tempo do culto ao corpo.

Assim, cada vez mais, psicologicamente a velhice é negada, rejeitada e mascarada. Com um pouco mais de atenção pode-se perceber que até a palavra ‘velhice’ foi convertida numa espécie de tabu ao ser substituída por outras designações, como, por exemplo: terceira idade, melhor idade, quarta idade, etc. Paralelamente a tal contexto, há estudos indicando que a longevidade mesmo sendo considerada uma vitória das áreas da saúde, é um contraponto quando analisada na esfera econômica em virtude dos significativos aumentos monetários, cujo fim, é incerto. Esse raciocínio, parece mesmo ser próprio de uma sociedade onde, a pessoa é valorizada na proporção da sua capacidade de produzir bens. Quando os resultados são menores que o esperado e/ou previsto, percebe-se algo muito parecido com o que acontece com os produtos descartáveis, isto é, são interessantes até o momento que servem aos propósitos a que foram concebidos e são assim jogados no lixo. Ainda, aproveitando tal analogia, pode-se dizer que alguns produtos descartáveis continuam sendo válidos porque são reciclados, e, voltam a servir aos propósitos a que foram concebidos. Já com a pessoa idosa, nem a sua riquíssima experiência de vida pode se dizer que é valorizada. Simplesmente existirá um dia que ela será aposentada e não terá mais as obrigações laborais que sempre teve ao longo de toda a sua existência.

De sorte que o modelo de aposentadoria tal como é concebido, indubitavelmente pode ser considerado como impróprio e injusto. Na atualidade o trabalhador que se vê às proximidades da sua aposentadoria, apresenta uma atitude ambivalente. Por um lado é atraído pelo fato de não ter mais as rotinas referentes aos compromissos do trabalho, e por outro, continua a acordar no mesmo horário, não sabe mais ocupar seu tempo e energia e seus ganhos apresentam-se bastante reduzidos. Sente-se inseguro nesta etapa da vida. Raciocina com a certeza de que o melhor da vida já passou e que caiu em decadência, e, até onde se sabe, não há nenhuma proposta otimista que o faça encarar a situação de outro modo.

Não é então por acaso que as informações percebidas em jornais e na impressa falada e televisada, alertando que em boa parte do mundo geralmente as pessoas idosas encontram-se inseridas no contexto sócio-econômico dos grupos mais pobres da população, sendo que, as mulheres sofrem mais intensamente tal processo.

Incluso nesse processo da aposentadoria e da idade, entende-se no contexto social contemporâneo que há a precocidade nas reformas, o que de certo modo, contribui com o aparecimento da exploração à população idosa, mediante a oferta – amplamente difundida em forma de propaganda –, de serviços como: hotéis, bingos, produtos farmacológicos que garantem o rejuvenescimento pessoal.

Então, pode-se, ainda que tal raciocínio não seja totalmente seguro, afirmar que exista uma abordagem incorreta sobre a velhice. Parece estar claro que uma pessoa idosa não é inútil e tampouco suas qualidades e imperfeições devem ser camufladas. Assim, a principal questão de fato, pode estar condicionada no redimensionamento da integração social do idoso a começar pelo resgate dos seus valores, suas potencialidades, suas habilidades, entre outras situações também não menos importantes.

Tal raciocínio conduz a lógica em afirmar que, o envelhecimento do organismo não é e nem poderá ser, sinônimo de incapacidade.

No quadro elaborado – que também serve como reflexão – é possível verificar que as pessoas são destacadas em várias áreas do conhecimento, não havendo maior ou menor relação com esta ou aquela aptidão, o que de certo modo, pode servir como referência indicando que o ser humano vivendo a fase do processo de envelhecimento, e por isso mesmo experimentando os limites impostos pelos desgastes naturais próprios da passagem do tempo, conseguiram ser partícipes efetivos e ativos de suas sociedades contribuindo significativamente para a construção de um tempo novo.

ALGUNS DESTAQUES NA VELHICE

NOME

DISTINÇÃO

IDADE

Freidrich Von Hayek Nobel da Economia 75 anos
Luigi Einaudi Pres. Rep. Italiana 74 anos
Winston Chuchill Chefe Britânico 77 anos
Golda Meier Criação Est. De Israel 71 anos
Ronald Reagan Pres. E.U.A 70 anos
Bertrand Russel Nobel da Literatura 72 anos
Miguel de Cervantes 2ª Parte da Obra 68 anos
Tolstoi Escreveu Ressureição 77 anos
Thomas Mann A Confissão de F.Krull 80 anos
Agatha Christie Trab. Literário 85 anos
Giuseppi Verdi M. Clássica Falstaff 74 anos
Miguel Ângelo Pint. B. São Pedro 71 anos
Pablo Picasso Produziu Pinturas 92 anos
Dr. Galo Leoz Oftalmologia 110 anos

Fonte: Cabrillo e Cachofeiro / Adaptação – Antonelli (2004)

Até a próxima, e,
Um Grande abraço!