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O Lugar do Esporte Escolar

(Publicado em 12 de agosto de 2011)

Em Rondônia vive-se um momento crítico quando se fala em esporte, em particular ao esporte escolar. E não falo das questões de sempre: infra estrutura, falta ou sucateamento de materiais, não investimento em capacitação de profissionais… aquelas dificuldades que permeiam a educação física escolar de todos os estados da República Federativa do Brasil. Além desses problemas, dois grandes acontecimentos surpreendem profissionais de educação física escolar e estudantes/atletas de Rondônia.

O primeiro de acordo com Ofício Circular n° 40/GAB/SETEC-MEC de 19 de abril de 2011, informando que os Jogos das Instituições Federais (JIF) foram adiados. Os jogos Ocorreriam no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), no mês junho. Restou acreditar que ocorressem os Jogos dos Institutos Federais do Norte (JIFEN), ainda em compasso de espera… indefinidos. Vai realizar? Segue o impasse, agora com possibilidade de realizar os JIF no Estado de Goiás, em outubro. Resta aguardar.

O segundo golpe veio com uma nota de esclarecimento público, divulgada em jornais eletrônicos da região, pela Secretaria Estadual de Educação sobre o cancelamento dos Jogos Escolares de Rondônia (JOER) 2011.

Nesse último caso, consola saber que a reação foi imediata o silencio dos bons foi quebrado diante de várias manifestações: carta manifesto a ser entregue na assembléia legislativa, abaixo assinado com assinatura de alunos, pais, professores, comunidade; mobilização junto ao ministério público; manifestação pública; nota a imprensa, entre outras formas de ações de toda a sociedade rondoniense.

Em meio a toda essa conjuntura lembrei-me de Jorge Steinhilber dizer que não podemos deixar de surfar nas ondas do tsunami dos megas eventos esportivos que ocorrerão Brasil, entre eles Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas 2016. Com essa lembrança e fatos que vem ocorrendo no Brasil (dúvidas sobre a realização dos JIF 2011) e em Rondônia (JOER é cancelado), só posso crer que há muitos governantes que ainda não têm noção do momento histórico que estamos vivendo, e o que é pior, se é que é possível piorar, não sabem qual o lugar do esporte.

Isso é notório em uma das (não)justificativas apresentadas na nota de esclarecimento público sobre o cancelamento do JOER, em que chamam de desprezível a classificação dos estudantes do estado nas últimas olimpíadas escolares. Mas pífio mesmo é termos governantes que desconhecem que: o esporte é um instrumento fundamental no auxílio ao processo de desenvolvimento integral das crianças, dos adolescentes e dos jovens. Assim, o lugar do esporte é nas instituições de ensino, nos vários campeonatos, nas olimpíadas escolares, na vida dos estudantes como direito fundamental instituído em vários documentos, inclusive no Manifesto Mundial da FIEP.

Portanto, como assegura Dória e Tubino(1), o esporte é um processo de desenvolvimento integral dos praticantes, respeitando as experiências e expectativas individuais democratizando o acesso a espaço esportivo, valorizando o esporte como complementar a técnica de saúde preventiva, incutindo valores éticos e sociais e resgatando a cultura esportiva.

Se há governantes que não sabem o lugar do esporte, restará a sociedade, em vez de surfar em ondas promissoras, combater as mazelas deixadas pelos tsunamis esportivos que passam pelo país.

Referências:

1 – DÓRIA, Carlos; TUBINO, Manoel José Gomes. Avaliação da busca da cidadania pelo Projeto Olímpico da Mangueira. In: Ensaio: Aval. Pol. Públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.50, p. 77-90, jan./mar. 2006.