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Gestão da Qualidade Aplicada às Escolas

(Publicado em 13 de dezembro de 2011)

Embora o termo Gestão da Qualidade seja muito utilizado no campo empresarial isto não impede que esta ferramenta seja também aplicada no contexto educacional. Para corroborar com esta visão, entenda-se a escola com as mesmas características de uma empresa, com os seus colaboradores (professores, equipe de secretaria, equipe de limpeza e manutenção, dentre outros); os seus serviços (aulas, expedição de documentos, etc.); e os seus clientes (alunos, famílias, sociedade). Afinal, de acordo com Paro, (2001) “o fim último da educação é favorecer uma vida com maior satisfação individual e melhor convivência social.”

Comumente se ouve falar em gestão democrática no âmbito das escolas, que se traduz nas palavras de Dourado, (1998) como “um processo de aprendizado e de luta que vislumbra nas especificidades da prática social e em sua relativa autonomia, a possibilidade de criação de meios de efetiva participação de toda a comunidade escolar na gestão da escola.”

Assim, o ponto de encontro do modelo empresarial de gestão da qualidade e o modelo educacional de gestão democrática se manifesta na idéia de Saviani, (1996) ao afirmar que:

[…] a gestão do mundo globalizado e a gestão educacional têm a necessidade de estarem alicerçadas em ideais que necessitam ser firmado, explicitados, compreendidos e partilhados nas tomadas de decisões sobre a formação dos cidadãos, que estejam aptos a dirigir o mundo e as instituições. Compreendendo a educação como “uma mediação que se realiza num contexto social e que se faz a partir das determinações da contemporaneidade, a partir do ser que aprende, necessário se faz adentrar nestes dois mundos para cumprir com a responsabilidade de formar cidadãos livres”.

Já, mediante observação do ponto de vista econômico, apresenta-se a perspectiva de Xavier, (1996) ao afirmar “que a dimensão gerencial deve ser concebida na perspectiva da qualidade.” O referido autor apresenta seis dimensões que devem ser consideradas quando se fala em qualidade da educação, às quais são:

1. Qualidade Política: constitui o aspecto político-pedagógico da educação e diz respeito à essência do serviço educacional prestado.

2. Custo: para se obter essa educação para a organização e ao seu preço para o cliente (alunos, pais, sociedade). Se ao conceito de qualidade não se incorporar a noção de custo, de preço, se cairá na armadilha de identificar qualidade com o que é caro, “luxuoso”, ao que é “perfeito”, e não ao que é adequado ao uso do cliente.

3. Atendimento: trata-se de levar em conta os aspectos de quantidade certa de educação, no prazo certo e no local certo. Assim, não faz sentido imaginar que alguém que tenha direito não tenha acesso à educação, como não faz sentido imaginar que essa educação não seja provida no prazo previsto (socialmente determinado, como é o caso dos nove anos do ensino fundamental) e em locais aos quais os clientes (alunos) possam ter acesso.

4. Moral da Equipe: Cabe, nesse caso, gerenciar os aspectos referentes à motivação intrínseca (orgulho do trabalho bem feito) e extrínseca (adequadas condições materiais de trabalho) dos profissionais da educação.

5. Segurança: Em um sentido restrito refere-se à segurança física dos agentes no ambiente escolar. Em um sentido amplo, ao impacto do serviço educacional, ou da sua provisão, no meio ambiente.

6. Ética: deve ser observada entre os atores do processo educacional, verdadeiro código de conduta responsável pela transparência e lisura das ações.

Logo, pode-se afirmar que um modelo de Gestão da Qualidade combinado a uma Gestão Democrática configura-se como uma eficiente ferramenta de otimização das escolas e, consequentemente, nos processos de educação, do ensino-aprendizagem, da formação de cidadãos críticos, reflexivos e participativos. Tudo isso, em prol de um sistema educacional que valorize o ser-cidadão como personagem central de um ensino de qualidade, valorizado pela gestão sistemática de uma “educação de qualidade padrão.”

Referências

DOURADO, Luiz Fernandez. A escolha de dirigentes escolares: políticas e gestão da educação no Brasil. In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto (org.) Gestão Democrática da educação: atuais tendências, novos desafios. São Paulo: Cortez, 1998.
PARO, Vitor Henrique. Escritos sobre educação. São Paulo: Xamã, 2001.
SAVIANI, D. A Nova Lei de Educação; trajetórias, limites e perspectivas. Campinas: Associados, 1996.
XAVIER, Antonio Carlos da R. A Gestão da Qualidade e a Excelência dos Serviços Educacionais: custos e benefícios de sua implantação. Brasília: IPEA, 1996.

Autores

Francisco Edson Pereira Leite
Treinador Comportamental do IFT. professor.edsonleite@hotmail.com

Janio César Mendes Ferreira
Pesquisador do grupo Gestão Econômica dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – UFRR. jangu121@hotmail.com

Jean Carlos Brustolin Alves
Consultor em Gestão da Qualidade do SEBRAE-RR. jeanbrustolin@hotmail.com