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Educação Física Escolar: contribuições para a formação da imagem corporal em adolescentes

(Publicado em 7 de outubro de 2011)

A Educação Física escolar, passado os movimentos de sua origem de caracterísitica higienista e militar, amparou-se no tecnicismo e encontrou identidade na esportivização que de modo hegemônico ocupa os conteúdos. Fato é que, afora as práticas lúdicas que de certa forma tornam as aulas mais participativas e o apelo que o esporte desperta nos alunos, de modo especial os mais habilidosos, pouco resta para que esta disciplina se justifique no ambiente escolar.

Necessário se faz aos profissionais que encontraram na escola o seu lócus de intervenção, utilizar-se da especificidade desse componente curricular para definitivamente dar sua contribuição na formação das crianças e adolescentes. É função da Educação Física escolar desenvolver cultura para o pleno exercício de uma vida ativa e saudável através da apresentação das diversas abordagens que compõem as atividades corporais. Não se concebe um adolescente que passou mais de uma década participando de aulas semanais em sua trajetória escolar, mostrar total desconhecimento sobre os efeitos, biopsicossociais da prática regular das atividades físicas e esportivas e apresentar baixa percepção da imagem corporal.

O adolescente de modo especial é bombardeado pela exigência do padrão estético culturalmente definido para o corpo. Estas exigências em uma fase da vida que acumula significativa dose de transformações e conflitos geram distúrbios de ordem psicológica, e não frequente promove a utilização de recursos artificiais ilícitos e danosos à saúde para a busca do padrão.

A disciplina de Educação Física através das vivências coletivas e interpessoais que sua prática proporciona, pode e deve contribuir para minimizar os efeitos dessa imposição do padrão estético. Uma forma de ação que podemos empreender por ocasião da prática é o desenvolvimento da autopercepção do corpo pela via da formação positiva da imagem corporal.

O que nos revela as relações que os adolescentes estabelecem com a imagem corporal, possibilita a constatação inicial como refere Alves et al. (2009), que a maior ou menor satisfação com a imagem do corpo está intimamente relacionada com a maior ou menor correspondência aos ideais de beleza, incutidos culturalmente. Na cultura ocidental somos diariamente confrontados, através dos meios de comunicação social, com verdadeiros modelos estéticos, que nos impõem ou criam o desejo da procura de um enquadramento do corpo em modelos pré-estabelecidos de beleza.

A preocupação excessiva com a estética corporal é um fenômeno em crescimento na sociedade que impõe padrões a serem seguidos. Com toda essa pressão social e cultural pelo desejo estético, é cada vez maior o número de pessoas que sofrem de transtornos corporais de imagem (FRANCO e NOVAES, 2005).

O sujeito, ao ficar exposto à cultura do magro imposta pelos meios de comunicação (MORGAN, VECCHIATTI e NEGRÃO, 2002), procura atingir esse ideal de beleza. Todavia, essa magreza ideal proposta nem sempre é atingível, a qual desencadeia um aumento na predisposição à insatisfação corporal.

A insatisfação corporal pode ser definida como a avaliação negativa do próprio corpo (ADAMI et al., 2008), sendo diagnosticada, geralmente, por meio de figuras das silhuetas corporais e questionários, que focalizam preocupações com o peso, forma e gordura corporal (SMOLAK, 2001).

Ao falarmos da Educação Física na escola, o professor é determinante para a abordagem de temas como a imagem corporal evidenciando sua prática pedagógica e forma de pensar. Assim, para que se processe alguma mudança de comportamento do aluno frente a sua imagem corporal por via da Educação Física, o professor deve criar condições para através das aulas, trazerem reflexões sobre as formas de imposição de modelos, bem como, potencializar a formação de atitudes positivas relacionadas ao corpo.

REFERÊNCIAS

ADAMI, F., FRAINER, D.E.S., SANTOS, J.S., FERNANDES, T.C., & DE-OLIVEIRA, F.R. Insatisfação corporal e atividade física em adolescentes da região continental de Florianópolis. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 24(2), 143-149, 2008.
ALVES, D., PINTO, M., ALVES, S., MOTA, A., & LEIRÓS, V. Cultura e imagem corporal. Revista Motricidade, 5(1), 1-20, 2009.
FRANCO, V.H.P.; & NOVAES, J. S. Estética e imagem Corporal na Sociedade atual. Cadernos Camilliani. Cachoeiro de Itapemirim, v. 6, n. 2, 111-118, 2005
MORGAN, C., VECCHIATTI, I., & NEGRÃO, A. Etiologia dos transtornos alimentares: Aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais. Revista Brasileira de Psiquiatria, 24(SIII), 18-23, 2002.
SMOLAK, L.M. Body image in children. In J.K. Thompson, & L. Smolak (Ed.), Body image, eating disorders and obesity in youth: Assessment, prevention and treatment (pp. 41-66). Whashington, DC: American Psychological Association, 2001.