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Korfebol

(Publicado em 5 de outubro de 2011)

Korfebol. Assim chama-se o esporte que ressurgiu oficialmente no Brasil em 22 de outubro de 2000. Na verdade trata-se de um jogo holandês, inventado em 1902. Que é reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional, sendo esporte de demonstração nas Olimpíadas de 1920 (Antuérpia – Bélgica) e 1928 (Amsterdã – Holanda). Em 1998 os Professores Marcello Bepi Soares e Claudio Ferreira de Oliveira, na época estudante de educação física na Universidade Castelo Branco, tiveram seu primeiro contato com a modalidade. Intrigados com o fato de ser jogado obrigatoriamente por homens e mulheres, e após muita pesquisa, teve a idéia de divulgá-lo em nosso país. O primeiro local a conhecer o Korfebol foi a comunidade Fernão Cardim, localizada no bairro de Pilares – RJ, onde os professores conseguiram em 2 meses realizar a integração de meninos e meninas e transformar o esporte como o segundo na preferência de atividades.

O Korfebol é conhecido na Europa, Ásia, Oceania, África e América do Norte, sendo que na América do Sul. O Brasil foi o pioneiro a ter equipes formadas. Em muitos países europeus existem campeonato com primeira e segunda divisão, e é ensinado até nas universidades” – entusiasma-se. Após 4 anos de pesquisa O Korfebol brasileiro foi reconhecido pela Federação Internacional de Korfebol, sendo o Brasil o 41º e primeiro país da América do Sul.

O korfebol é o único esporte coletivo onde homens e mulheres atuam juntos. O jogo é bem simples: cada equipe conta com quatro casais, sendo dois jogando na defesa e dois no ataque. O objetivo é acertar a bola numa espécie de cesta, que diferentemente da utilizada no basquete, não possui tabela e é feita de vime ou material sintético. Ao contrário dos outros esportes, o jogador que recebe a bola não pode andar com ela, nem mesmo quicá-la. A marcação é feita de forma individual e não é permitido marcar jogador do sexo oposto. O contato físico também é proibido. Pode ser jogado por pessoas de todas as faixas etárias, inclusive portadores de deficiência, pois não requer muitas habilidades.

No Brasil, mais especificamente o esporte vem sendo praticado no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rondônia e Brasília. O Esporte ainda está em fase de desenvolvimento nos demais países sul americanos. Marcelo é divulgador oficial reconhecido pela IFK (a Federação Internacional de Korfball),. “No início as oportunidades de mostrar o Korfebol eram mais difíceis, até porque é novidade, e a modalidade e muito diferente do que estamos acostumados a praticar na escola. No Brasil existe uma cultura de que todo esporte que não seja o futebol não vai dar certo e nós professores de educação física, comprometidos com a profissão precisamos mudar esse paradigma, propiciar a nossos alunos outras atividades para que tenhamos cada vez mais pessoas praticando atividade física e esportes.

O Korfebol já participou de vários programas de TV. Como Ana Maria Braga, Jornal Nacional, Esporte Espetacular, Ana Hickman… entre outros, onde todos podem ser facilmente localizados no famoso site de vídeos: www.korfeblog.blogspot.com ou simplesmente digitando a palavra “ Korfebol ou corfebol”.

A julgar pelo sucesso que faz entre seus praticantes, o korfebol tem tudo para tornar-se um esporte popular. A cada dia surgem novos adeptos, em sua grande maioria jovens, porém Marcello Bepi Soares realiza outras maneiras de se jogar Korfebol adaptando o esporte a realidade do grupo que está praticando, uma delas é o Korfebol família onde pais e filhos conseguem jogar em igualdade de condições. “ É muito interessante poder ver os pais virando crianças junto com seus filhos e brincando e sorrindo, combinando as jogadas, a estratégia, interagindo, facilitando o diálogo através do esporte”. Uma das características do Korfebol brasileiro é que não são permitidos palavrões, empurrões, jogadas agressivas, o que atrai bastante as pessoas que não tem perfil competitivo, ele desenvolve no praticante gradativamente a Cultura de paz, onde o adversário é visto como adversário e não como inimigo. Por ser um esporte obrigatoriamente misto se torna ainda mais atrativo, geralmente os homens vão por ser um jogo que conta com a presença feminina, e as mulheres pelo fato de ser de fácil aprendizado, além de divertido. Quase todos os participantes têm o korfebol em segundo lugar na preferência. Mais do que simples jogadores, todos eles fazem questão de enaltecê-lo, não medindo esforços para isso: ajudam a carregar os equipamentos, na divulgação, contribuem financeiramente – ainda que com uma taxa irrisória – e não se importam nem um pouco com as constantes piadinhas das quais são vítimas por serem praticantes de uma modalidade recém-chegada. Surpreende ver tanta dedicação e empenho. Mais do que um time, eles são o que se pode verdadeiramente chamar de equipe. Os primeiros integrantes foram “fisgados” pelo técnico enquanto passavam na rua. Outros eram amigos, vizinhos ou parentes. Há também aqueles que se interessaram pela modalidade após assistirem as exibições promovidas pelo treinador, através de cursos, palestras, eventos, até mesmo festa de aniversário. Em ambiente escolar o professor Marcello Bepi Soares, gosta de realizar o Korfebol Dia dos Pais e dia das mães onde todos podem interagir e conhecer a modalidade de forma lúdica e prazerosa. O jogo vem sendo apresentado também em presídios como forma de se diminuir agressividade dos presos e através de suas regras pedagógicas poder trazer de volta ao detento a tão sonhada cidadania e a segunda chance. Aulas de Korfebol são pautadas nos princípios de igualdade, facilitação de diálogos, ciclo de conversas e com objetivos específicos, que auxiliam até no aprendizado da matemática. A Idéia de Soares agora e trazer outras disciplinas para dentro da quadra, como Português, Geografia e História e também focar na questão da síndrome de Down e cadeirantes onde o desporto irá ser o primeiro esporte a unir “cadeirantes” e “andantes” na mesma equipe. Parcerias estão sendo realizadas para que o sonho do Professor Marcello Bepi Soares se torne realidade.