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A Interferência do Bullying na Qualidade de Vida: necessidade de atenção

(Publicado em 19 de outubro de 2011)

A qualidade de vida é um conceito holístico, relaciona-se com as experiências atuais e passadas do indivíduo. Dificilmente pode ser completamente operacionalizado através de um instrumento e coloca-se uma razoável dúvida sobre a “melhor” definição.

O Bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. É necessário dar atenção a este fenômeno tão prejudicial à vida dos seres humanos, pois o termo Bullying compreende diversas formas de agressividade, sendo estas, de maneira intencional e repetitiva, com ou sem motivos aparentes. Estas agressões acontecem no ambiente escolar por um ou mais estudantes contra outro, e é entendido que causa traumas e estabelece uma relação de desigualdade entre os mesmos. Será que estamos atentos aos problemas que acometem nossas crianças e ate mesmo adultos nos diversos locais da sociedade?

O Bullying pode ser manifestado em qualquer lugar onde existam relações interpessoais e não só na escola, mas para Freire, 1996, “Faz parte igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação. A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano que nega radicalmente a democracia[…]” (p. 17). E as conseqüências deste fenômeno podem trazer danos na vida escolar e até psicológicos aos indivíduos envolvidos, tornando-os adultos com comportamentos anti-sociais, ocupando eles a posição de agressores, agredidos ou espectadores. Este tipo de violência se manifesta, sutilmente, sob a forma de brincadeiras, apelidos, trotes, gozações e agressões físicas, (Lopes Neto e Savedra, 2003; Fante, 2005). Para tanto é necessário compreender o papel dos profissionais e da família no processo de aprendizagem entendendo que esta realidade não deveria fazer parte do convívio escolar e proporcionar a crianças e adolescentes conhecimentos e possibilidades de aprender em um ambiente tranqüilo e de melhor convívio social.

A qualidade de vida esta ligada ao desenvolvimento humano. Não significa apenas que o indivíduo ou o grupo social tenham saúde física e mental, mas que esteja(m) bem com eles mesmos, com a vida, com as pessoas que os cercam, enfim, ter qualidade de vida é estar em equilíbrio. E esse equilíbrio diz respeito ao controle sobre aquilo que acontece a sua volta, como por exemplo, sobre os relacionamentos sociais. Mas se o indivíduo não tem ou não consegue ter esse controle, poderá controlar a maneira com que reage a esses acontecimentos, essas ações.

Para garantir uma boa qualidade de vida, deve-se ter hábitos saudáveis, cuidar bem do corpo, ter tempo para lazer e vários outros hábitos que façam o indivíduo se sentir bem, que tragam boas conseqüências, como usar o humor pra lidar com situações de stress, definir objetivos de vida e, o principal, sentir que tem controle sobre a própria vida.

Entende-se, portanto que a qualidade de vida é a maneira como o indivíduo se percebe como ele se posiciona na sociedade. Sociedade esta que para Durkheim Émile, é um organismo em que há a presença de dois estados um normal e outro patológico. Seu objetivo máximo é a harmonia consigo mesma e com as outras sociedades por meio de um consenso.

Sendo assim, devemos estar atento as agressões de qualquer espécie, conflitos de valores, e a influência da mídia observando quais são os novos paradigmas sociais. Valorizar a qualidade de vida destes indivíduos tornou se uma responsabilidade para nos que somos co-responsáveis por proporcionarmos uma vida “normal” para estes indivíduos.

Em “Pais brilhantes professores fascinantes” Cury (2003), afirma: – “Há um mundo a ser descoberto dentro de cada jovem, mesmo dos mais complicados e isolados. Muitos jovens são agressivos e rebeldes, e seus pais não percebem que eles estão gritando através de seus conflitos.” (p. 43)

Valorizar regras e valores na tentativa de oportunizar melhora na qualidade de vida, desperta melhor convívio destes indivíduos na sociedade. Esta na hora de buscar autonomia e evidenciar o prazer de se viver que para Tiba, 1998, “É o momento de tomar uma atitude. As atitudes precisam ser coerentes, constantes e conseqüentes, isto é, necessitam do endosso de todos os professores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CURY, A.J. – Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. Tradução de Pietro Nassetti- Ed. Martin Clareto – São Paulo, 2007. .
FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: Como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. ISBN, 2005, 224 pags.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa – São Paulo: Paz e Terra, 1996.
SANTOS, M. C. Silva, VARGAS, Angelo. Analise da qualidade de vida e ênfase na interferência do Bullying no processo de aprendizagem dos alunos de 09 a 12 anos inseridos nas escolas Municipais da Cidade de Ipatinga – MG: Uma revisão de literatura. Congresso Sudamericano do MERCOSUL, 2011.