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Lazer, Sustentabilidade e Responsabilidade Social - Conceituando o Tema

(Publicado em 12 de agosto de 2011)

As Contradições entre o binômio “desenvolvimento e meio ambiente” evidenciaram os problemas de fragmentação social, a partir da década de 1970. assim, as questões socioambientais passaram a compor a prioridade das agendas dos governos de todo planeta. Pois, os efeitos desta crise global estão relacionados à forma insustentável de exploração dos recursos naturais e humanos, intensificada com o advento da Revolução Industrial. Vale salientar que essas mudanças estruturais ocorridas com a globalização fortalecem a necessidade de práticas do lazer em atividades realizadas fora do ambiente de trabalho, por ser um meio privilegiado para o desenvolvimento pessoal, social e econômico, bem como um aspecto importante da qualidade de vida.

Nesse contexto, nos propusemos nesse primeiro contato a abordar na coluna intitulada “Lazer, Sustentabilidade e Responsabilidade Social”, uma série de conceitos que fundamentam estas temáticas. Conforme nos mostra Hani apud Ribeiro et. all. (2010) o lazer tem sido motivo de discussão em nossa sociedade, devido à sua complexidade e amplitude, crer-se que não exista um conceito de lazer universalmente aceito.

No entanto, Oleias (2003) afirma que o conceito de lazer segue em linhas gerais a idéia que historicamente, é uma atividade necessária ao desenvolvimento biopsicossocial do homem, estando relacionado à disponibilidade do tempo livre e, geralmente, sempre esteve mais relacionado às classes privilegiadas pela sua situação sócio-econômica mais favorável e, ao mesmo tempo, a prática do lazer é influenciada, sobretudo, pelo Estado na medida em que este pode programar políticas públicas para o setor, bem como oferecer espaços físicos necessários e adequados para a sua execução.

Já, a sustentabilidade tem sido tema de debate de diversos setores da sociedade. Pois, a preocupação com o meio ambiente é o alvo de inúmeros encontros em diferentes setores da sociedade, desde as reuniões dos líderes mundiais até as assembléias de condomínio.

Assim, de acordo com a definição do dicionário Michaelis, Sustentabilidade: sus.ten.ta.bi.li.da.de sf (sustentável+i+dade) qualidade de sustentável. Sustentável: sus.ten.tá.vel adj m+f (sustentar+vel) que pode ser sustentado. Na verdade sustentabilidade não é um mero conceito, seu entendimento deve ir além da semântica ou do significado da palavra, do mesmo modo que Sachs (2000) defende que a sustentabilidade constitui-se num conceito dinâmico, que leva em conta as necessidades crescentes das populações, num contexto internacional em constante expansão. Foladori, (1999), corrobora com a afirmação de que a Sustentabilidade, associada ao desenvolvimento, inclui não somente o legado às futuras gerações de um mundo material (biótico e abiótico) igual ou melhor que o atual, mas também uma equidade nas relações entre as gerações atuais.

Por fim apresentamos a responsabilidade social, que conforme a visão de Ghilardi (2009) é um conceito, segundo o qual, as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo. […], isto é, a Responsabilidade Social diz respeito ao cumprimento dos deveres e obrigações dos indivíduos e empresas para com a sociedade em geral. Já, de acordo com Daft (1999, p. 88) “a responsabilidade social é a obrigação da administração de somar decisões e ações que irão contribuir para o bem-estar e os interesses da sociedade e da organização”. Portanto, sabe-se que a responsabilidade social é parte integrante do conceito de desenvolvimento sustentável e é apresentada por Neto e Froes (2001, p. 91) como “um dos três pilares que fundamentam o desenvolvimento sustentável. Visto que o desenvolvimento sustentável resume-se em prover o melhor para as pessoas e para o ambiente, tanto agora quanto para o futuro indefinido”.

A partir desta visão, abordaremos em nossa coluna três temas distintos, mas indissociáveis e que permitem diversas interpretações, o que torna um desafio instigante encontrar o ponto de intercessão destes assuntos e como eles se relacionam com a Educação Física, afinal, nós os Profissionais da área, recebemos o “convite compulsório” de acompanhar a evolução global dos mercados e as novas exigências da sociedade no contexto mais amplo do desenvolvimento socioambiental.

REFERÊNCIAS

DAFT, Richard L. Administração. 4º ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1999.
FOLADORI, G. Sustentabilidad Ambiental y Contradicciones Sociales. Ambiente & Sociedad – Ano II – nº 5, 2º semestre, 1999.
FRÓES, C; MELO NETO, F. P. Gestão da responsabilidade social corporativa, o caso brasileiro: da filantropia tradicional à filantropia de alto rendimento e ao empreendedorismo social. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001.
GHILARDI, Renato. Conceito de Responsabilidade Social. Disponível em http://forumgrx.forumbrasil.net/t7-conceito-de-responsabilidade-social Acesso em 06 de Agosto de 2011 às 11:40h.
MICHAELIS. Dicionário. Disponível em:
OLEIAS, V. J. Disponível em: . Acesso em 04 de Agosto de 2011, 22:00h.
RIBEIRO, I.V. ALVES, J.C.B. FERREIRA, J.C.M. Recreação Aquática: dos 8 aos 80 anos. Editora da UFRR, Boa Vista-RR: 2010.
SACHS, I. Sociedade, cultura e meio ambiente. In: PGCA. Mundo & Vida: alternativas em estudos ambientais, n.1, jan.-dez. Niterói: UFF, p.7-14, 2000.
SOUZA, L.G.N de. O conceito de lazer e seus vários estudiosos. http://www.webartigos.com/articles/16030/1/O-CONCEITO-DE-LAZER-E-SEUS-VARIOS-ESTUDIOSOS/pagina1.html#ixzz1U7AQZEjk Acesso em 04 de Agosto de 2011, 21:45h.

 

Autores:

Francisco Edson Pereira Leite
Treinador Comportamental pelo IFT. professor.edsonleite@hotmail.com

Janio César Mendes Ferreira
Pesquisador do grupo Gestão Econômica dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – UFRR. jangu121@hotmail.com

Jean Carlos Brustolin Alves
Consultor de Gestão da Qualidade do SEBRAE-RR. jeanbrustolin@hotmail.com