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Um Enfoque Sociológico

(Publicado em 26 de setembro de 2011)

A percepção de que um conhecimento nunca está isolado de outros é fundamental, pois não existe uma área do conhecimento humano detentora da verdade absoluta sobre qualquer nova produção. Portanto, tal entendimento é o que nos permite o fascínio pelo estudo e por pesquisas inovadoras.

Desta forma, pautados na sociologia apresentamos uma percepção referente ao contexto do lazer e suas implicações para a vida em sociedade, bem como suas relações com o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social, que abrangem tanto as corporações quanto os indivíduos em geral.

Em uma palestra realizada na IV Jornada de Educação na cidade de Boa Vista-RR, o professor Hani Awad afirmou que “os seres humanos somos preparados para o trabalho e não para o ócio, isto é, sabemos exatamente o que temos de fazer quando estamos trabalhando, mas muitas vezes não conseguimos identificar o que fazer em nossos momentos livres.”

Este pensamento nos remete à teoria marxista, que propõe uma visão integradora e científica da realidade social e política. De acordo com o site infopédia, o marxismo defende que a transformação da sociedade depende do processo histórico, o que fez a sociedade industrial criar uma nova classe trabalhadora, o proletariado industrial, massa social de origem rural que foi para as fábricas das cidades.

De acordo com Fernandes et. all. “nas sociedades rurais não havia uma separação entre as esferas da vida do homem, pois o local de trabalho muitas vezes era na própria moradia e, desta maneira, trabalho e lazer se confundiam. Na sociedade moderna, marcadamente urbana, a industrialização acentuou a divisão social de trabalho, o que se caracterizou divisor entre trabalho e lazer.”

Já, segundo Padilha (2000), na visão Marxista, o trabalho e o lazer são atividades complementares e não opostas, assim, problemas em uma esfera provocam problemas também na outra esfera. Assim de acordo o raciocínio dialético e baseado em Werneck (2002), o qual afirma, que mesclado com o consumo, o lazer se torna uma via de diferenciação entre classes e grupos sociais.

Percebe-se então que existe o lazer dos grupos ricos e o das classes menos favorecidas, pois parece que apenas por meio do consumo dos produtos industrializados é possível se alcançar a felicidade.

Nesta abordagem apresentamos o pensamento complexo de Edgar Morin, que faz alusão da união entre a simplicidade e complexidade, o que implica em processos como selecionar, hierarquizar, separar, reduzir e globalizar.

Sua teoria está pautada nos sete saberes que são: Reconhecer as cegueiras do conhecimento, seus erros e ilusões; Assumir os princípios de um conhecimento pertinente; A condição humana; A identidade planetária; Enfrentar as incertezas; A compreensão; e a Ética do gênero humano.

Assim, Edgar Morin propõe uma total reorganização da educação, não apenas no ato de ensinar, mas na transformação que envolva o repensar das disciplinas como porta-arquivo isolados uns dos outros com suas verdades isoladas, o que se traduz em um processo de ensino-aprendizagem, onde o fim está na mera transmissão de conteúdos e não na construção de conhecimentos, na formação e transformação do ser enquanto cidadão.

Desta forma entendemos que não apenas a Educação Física, mas as outras áreas do conhecimento humano devem assumir a responsabilidade social de colaborar com a orientação na formação de pessoas “conscientes” do seu papel para sustentabilidade da vida no planeta, fator essencial para o desenvolvimento socioambiental e o lazer no ócio.

REFERÊNCIAS

marxismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-09-03]. Disponível na www: http://marxlutte.webs.com/artigosetextos.htm
PADILHA, Valquíria. Tempo livre e Capitalismo: um par imperfeito. Campinas: Alínea, 2000.
WERNECK, Christianne L. G. Lazer e formação profissional na sociedade atual: repensando os limites, os horizontes e os desafios para área. Licere, Belo Horizonte, 2002.
FERNANDES, E.R. HÚNGARO, E.M. ATHAYDE, P.F. Lazer, trabalho e sociedade: notas introdutórias sobre o lazer como um direito social. . Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd155/o-lazer-como-um-direito-social.htm. Acesso em 03/09/2011 16:00h.
SATIRO, Angélica. Revista Linha Direta. Publicação Mensal dos Sinepes e da AEBJ, Ano 5, nº 57, 2002 O pensamento complexo de Edgar Morin e sua Ecologia da ação. Disponível em: http://edgarmorin.org.br/textos.php?tx=57. Acesso em 03/09/2011, 17h.

AUTORES

Francisco Edson Pereira Leite
Treinador Comportamental pelo IFT. professor.edsonleite@hotmail.com

Janio César Mendes Ferreira
Pesquisador do grupo Gestão Econômica dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – UFRR. jangu121@hotmail.com

Jean Carlos Brustolin Alves
Consultor de Gestão da Qualidade do SEBRAE-RR. jeanbrustolin@hotmail.com