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A Recreação e as Diversas Linguagens

(Publicado em 12 de agosto de 2011)

O presente trabalho enfocou o currículo das diversas linguagens, visando mais especificamente à linguagem da brincadeira, a qual compartilhamos com Oliveira (2000, p.7) “(…) é brincando que a criança elabora progressivamente o luto pela perda relativa dos cuidados maternos, assim como encontra forças e descobre estratégias para enfrentar o desafio de andar com as próprias pernas e pensar aos poucos com a própria cabeça, assumindo a responsabilidade pelo seus atos”. Objetivamos construir uma relação da recreação com as linguagens das crianças, sendo uma forma de contribuição para o aprendizado. Uma vez que observamos a recreação somente pelo ângulo do entretenimento lúdico.

Foi realizada uma pesquisa de campo envolvemos crianças na faixa etária de 6 à 11 anos de idades, sendo que uma criança é deficiente com classes sociais diferentes. Coletamos por meio de material áudio visual, imagens registro realizado pelas crianças, dados importantes para a construção desta relação.

As situações de aprendizagens (brincadeiras) foram selecionadas levando em consideração como forma de desafios para a variação etária singular.

Compartilhamos com Freire (2003, p.13) que um professor que trabalha de forma a limitar seu aluno, não dando-lhe liberdade de construir seu próprio conhecimento, estará também aniquilando as chances de observar as diferenças existentes entre o grupo de alunos, assim como a de transformar estas diferenças em um canal para ricas aprendizagens (sociais, afetivas e físicas).

Diante disto, proporcionamos atividades de aprendizagens na piscina, na quadra e na área ampla com intuito de verificar e perceber o desenvolvimento de cada criança sem levar em consideração idade e classe social, deixando-as livres para a ressignificação das brincadeiras aplicadas. Tentamos entender até que ponto a classe social influencia nessa troca de experiências diversas.

Foram utilizados vários materiais como: bolas de isopor, papel, bolas de ping – pong, coador de café, frutas plásticas, raquetes, petecas, letras coloridas, latas, balões, copos plásticos, garrafas pet’s, canudos e palitos de fósforos. Recursos estes de fácil acesso para qualquer educador.

Durante a realização da pesquisa, verificamos o processo de desenvolvimento e comportamento de cada criança, vários desafios foram propostos, com recursos simples podemos construir qualquer aprendizagem ampliando a cultura infantil.

Para Gobbi (2010) as crianças expressam-se utilizando várias linguagens, com as quais constroem a si mesmas e as culturas nas quais estão inseridas levando-as ao encontro entre palavras, choros, sons, movimentos, traçados, pinturas, todos imbricados em ricas manifestações, mas que, por vezes, encontra-se enfraquecida no cotidiano infantil devido à ausência de propostas, que mesmo simples, procurem garantir processos de criação em que os questionamentos, a busca criativa por diferentes materiais, o respeito pelo trabalho individual e coletivo, estejam presentes.

Durante a ação lúdica, as diversas linguagens, assim como a linguagem oral, escritas, intra e inter pessoal, logico-matemática, afetiva dentre outras se entrelaçam na linguagem impulsionadora que é a da brincadeira, fazendo um encadeamento enriquecedor no processo de aprendizagem.

Durante as observações, foi percebido que as crianças reconstruíram as brincadeiras levando em conta as peculiaridades intrínsecas da sua cultura, independentemente da classe social em que está inserido, vale ressaltar que as crianças da classe menos favorecida manipulavam com dinamismo os materiais que lhes foram oferecidos, mas isto foi oportunizado a todos no decorrer da pesquisa.

Podemos afirmar que a recreação pode ser abordada em qualquer classe social e com pessoas de diferentes idades e tamanhos, oportunizando o aprendizado das crianças numa ação lúdica.

Referências

FREIRE, Paulo. PEDAGOGIA DO OPRIMIDO. Edição Paz e terra. Rio de Janeiro, 2003.
OLIVEIRA, Vera Barros de (org), O BRINCAR E O NASCIMENTO AOS SEIS ANOS. Petrópolis , RJ: Vozes, 2000.
GOBBI, Márcia. MÚLTIPLAS LINGUAGENS DE MENINOS E MENINAS E A EDUCAÇÃO INFANTIL. ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL: CURRÍCULO EM MOVIMENTO – Perspectivas Atuais. Belo Horizonte, novembro de 2010.

 

Autoras:

Nilvana do Socorro Gaspar Rocha
Professora da Rede Municipal de Ensino de Belém, graduada em Pedagogia.

Rosa Maria Alves da Costa
Especialista em Acupuntura, delegada da FIEP Pará e profª de Educação Física. Professora de Educação Física. Esp. em danças folclóricas, Esp. em recreação e Delegada FIEP/PA.