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Gestão da Qualidade nas Empresas (Por Francisco Edson Pereira Leite)

Sobre o Autor

Francisco Edson Pereira Leite
Boa Vista/RR - Brasil
Site: http://www.bemestartreinamentos.com.br
E-mail: professor.edsonleite@hotmail.com

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Gestão da Qualidade Aplicada às Escolas

Embora o termo Gestão da Qualidade seja muito utilizado no campo empresarial isto não impede que esta ferramenta seja também aplicada no contexto educacional. Para corroborar com esta visão, entenda-se a escola com as mesmas características de uma empresa, com os seus colaboradores (professores, equipe de secretaria, equipe de limpeza e manutenção, dentre outros); os seus serviços (aulas, expedição de documentos, etc.); e os seus clientes (alunos, famílias, sociedade). Afinal, de acordo com Paro, (2001) “o fim último da educação é favorecer uma vida com maior satisfação individual e melhor convivência social.”

Comumente se ouve falar em gestão democrática no âmbito das escolas, que se traduz nas palavras de Dourado, (1998) como “um processo de aprendizado e de luta que vislumbra nas especificidades da prática social e em sua relativa autonomia, a possibilidade de criação de meios de efetiva participação de toda a comunidade escolar na gestão da escola.”

Assim, o ponto de encontro do modelo empresarial de gestão da qualidade e o modelo educacional de gestão democrática se manifesta na idéia de Saviani, (1996) ao afirmar que:

[...] a gestão do mundo globalizado e a gestão educacional têm a necessidade de estarem alicerçadas em ideais que necessitam ser firmado, explicitados, compreendidos e partilhados nas tomadas de decisões sobre a formação dos cidadãos, que estejam aptos a dirigir o mundo e as instituições. Compreendendo a educação como “uma mediação que se realiza num contexto social e que se faz a partir das determinações da contemporaneidade, a partir do ser que aprende, necessário se faz adentrar nestes dois mundos para cumprir com a responsabilidade de formar cidadãos livres”.

Já, mediante observação do ponto de vista econômico, apresenta-se a perspectiva de Xavier, (1996) ao afirmar “que a dimensão gerencial deve ser concebida na perspectiva da qualidade.” O referido autor apresenta seis dimensões que devem ser consideradas quando se fala em qualidade da educação, às quais são:

1. Qualidade Política: constitui o aspecto político-pedagógico da educação e diz respeito à essência do serviço educacional prestado.

2. Custo: para se obter essa educação para a organização e ao seu preço para o cliente (alunos, pais, sociedade). Se ao conceito de qualidade não se incorporar a noção de custo, de preço, se cairá na armadilha de identificar qualidade com o que é caro, “luxuoso”, ao que é “perfeito”, e não ao que é adequado ao uso do cliente.

3. Atendimento: trata-se de levar em conta os aspectos de quantidade certa de educação, no prazo certo e no local certo. Assim, não faz sentido imaginar que alguém que tenha direito não tenha acesso à educação, como não faz sentido imaginar que essa educação não seja provida no prazo previsto (socialmente determinado, como é o caso dos nove anos do ensino fundamental) e em locais aos quais os clientes (alunos) possam ter acesso.

4. Moral da Equipe: Cabe, nesse caso, gerenciar os aspectos referentes à motivação intrínseca (orgulho do trabalho bem feito) e extrínseca (adequadas condições materiais de trabalho) dos profissionais da educação.

5. Segurança: Em um sentido restrito refere-se à segurança física dos agentes no ambiente escolar. Em um sentido amplo, ao impacto do serviço educacional, ou da sua provisão, no meio ambiente.

6. Ética: deve ser observada entre os atores do processo educacional, verdadeiro código de conduta responsável pela transparência e lisura das ações.

Logo, pode-se afirmar que um modelo de Gestão da Qualidade combinado a uma Gestão Democrática configura-se como uma eficiente ferramenta de otimização das escolas e, consequentemente, nos processos de educação, do ensino-aprendizagem, da formação de cidadãos críticos, reflexivos e participativos. Tudo isso, em prol de um sistema educacional que valorize o ser-cidadão como personagem central de um ensino de qualidade, valorizado pela gestão sistemática de uma “educação de qualidade padrão.”

Referências

DOURADO, Luiz Fernandez. A escolha de dirigentes escolares: políticas e gestão da educação no Brasil. In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto (org.) Gestão Democrática da educação: atuais tendências, novos desafios. São Paulo: Cortez, 1998.
PARO, Vitor Henrique. Escritos sobre educação. São Paulo: Xamã, 2001.
SAVIANI, D. A Nova Lei de Educação; trajetórias, limites e perspectivas. Campinas: Associados, 1996.
XAVIER, Antonio Carlos da R. A Gestão da Qualidade e a Excelência dos Serviços Educacionais: custos e benefícios de sua implantação. Brasília: IPEA, 1996.

Autores

Francisco Edson Pereira Leite
Treinador Comportamental do IFT. professor.edsonleite@hotmail.com

Janio César Mendes Ferreira
Pesquisador do grupo Gestão Econômica dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – UFRR. jangu121@hotmail.com

Jean Carlos Brustolin Alves
Consultor em Gestão da Qualidade do SEBRAE-RR. jeanbrustolin@hotmail.com

Gestão da Qualidade: o “processo” que faz diferença

A revolução industrial possibilitou inúmeras mudanças para as empresas no cenário global, com destaque para a evolução dos processos no âmbito das organizações, pois naquela época utilizava-se, basicamente, o processo artesanal denominado “um a um”, que embora fosse uma estratégia para não haver inconformidades no produto final, durava muito tempo para produzir e não havia qualidade nos produtos e, portanto, a utilização de tal metodologia de processo fora denominado como a era da inspeção.

Já, na era do controle estatístico começava a verificação por amostragem, ou seja, na produção de um lote com mil componentes retirava-se um percentual de peças para verificação, pois naquele momento já havia um departamento responsável e especializado para localizar produtos defeituosos. No início do século XX e com o advento da 1º e 2º guerra mundial, eventos que ocasionaram déficits elevados no capital financeiro e na estrutura física de vários países, houve em decorrência desses fatos a necessidade de se projetar e construir grandes centros do pós-guerra.

Desta forma, o controle por processos tornou-se estratégia essencial para se evitar que erros pudessem acontecer e, portanto, paralelo aos processos foi criado a cultura de não conformidades, à qual foi muito difundida no Japão e se caracteriza como a qualidade das pessoas que executam os processos. Nesse sentido, Harrington (1997) declara que se “aponta para uma hierarquia que caracteriza o sistema, que parte de uma visão global para uma visão pontual”. Para tanto, vale destacar que:

Macroprocesso: é um processo que geralmente envolve mais de uma função na estrutura organizacional e sua operação tem um impacto significativo no modo como a organização funciona;

Processo: é um conjunto de atividades sequenciais (conectadas), relacionadas e lógicas, que tomam um “input” com um fornecedor, acrescentam valor a este e produzem um “output” para um consumidor;

Subprocesso: é a parte que, inter-relacionada de forma lógica com outro subprocesso, realiza um objetivo específico em apoio ao macroprocesso e contribui para a missão deste;

Atividades: são ações que ocorrem dentro do processo ou subprocesso. São geralmente desempenhadas por uma unidade (pessoa ou departamento) para produzir um resultado particular. Elas constituem a maior parte dos fluxogramas;

Tarefa: é uma parte específica do trabalho, ou seja, o menor enfoque do processo, que pode ser um único elemento e/ou um subconjunto de uma atividade.

Com o passar dos anos os processos tiveram várias alterações e se adequaram em conformidade com os segmentos industriais e, também, percebeu-se que tal sistemática é largamente utilizada no segmento de prestação de serviços.

Assim, varias ferramentas foram desenvolvidas para mapear processos e detectar falhas, das quais pode-se destacar o modelo 6 SIGMA, ferramenta criada por executivos da Motorola na década de 80 do século passado, com objetivo de tornar a empresa mais competitiva, pois muitos concorrentes estavam fabricando produtos com maior qualidade a um custo mais acessível. Portanto, a partir de 1985 outras empresas adotaram tal metodologia. O 6 SIGMA, então, se tornou um modelo revolucionário para a melhoria dos processos em grandes empresas. Uma outra ferramenta extremamente utilizada é o ciclo PDCA de Deming, que é um ciclo gerencial usado para se atingir metas no âmbito das organizações e pode ser descrito da seguinte forma: P (1) localizar problemas e estabelecer metas e (2) estabelecer planos de ação; D (3) Conduzir a execução do plano; C (4) Verificar atingimento de metas; A (5) Tomar a ação corretiva no insucesso e (6) Padronizar e treinar no sucesso.

Atualmente, a área de gestão da qualidade já está consolidada em grandes instituições, bem como começa também a ser aceita em organizações de pequeno porte, que visam o controle de seus processos a fim de evitar erros durante as fases de produção e prestação de serviços. Portanto, a inserção da gestão da qualidade nas organizações, embasada por processos eficazes, possibilita reduzir os desperdícios e contribui para a melhoria e aumento da sustentabilidade do negócio.

Referências

HARRINGTON, J. (1997) – Business process improvement workbook: documentation, analysis, design and management of business process improvement. New York, McGraw-Hill.

Autores

Francisco Edson Pereira Leite
Treinador Comportamental do IFT. professor.edsonleite@hotmail.com

Janio César Mendes Ferreira
Pesquisador do grupo Gestão Econômica dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – UFRR. jangu121@hotmail.com

Jean Carlos Brustolin Alves
Consultor em Gestão da Qualidade do SEBRAE-RR. jeanbrustolin@hotmail.com

Implantação de um Programa de Gestão da Qualidade em Micro e Pequena Empresa: Introdução

Qualidade é um conceito espontâneo e intrínseco a qualquer situação de uso de algo tangível, a relacionamentos envolvidos na prestação de um serviço ou a percepções associadas a produtos de natureza intelectual, artística, emocional e vivencial (MARSHALL, 2010).

O termo gestão da qualidade começa a ganhar forças a partir da era industrial, pois até meados do século XIX, a grande maioria dos produtos era fabricada por artesãos, no entanto, todas as fases do processo eram praticamente de controle de um mesmo trabalhador. Com o inicio da produção em massa, esse procedimento histórico uma vez natural e corriqueiro cai em desuso e abre espaço para a linha de produção.

Já, no século XX, especialmente, o controle de qualidade passou efetivamente a ser percebida como estratégia de empresa, ou seja, a qualidade passou a ser discutida como diferencial de mercado e o cliente passou a valorizar quem a possuía implantada como diferencial na melhoria de seus processos.

Implantação

Para qualquer inovação no mercado corporativo devem-se avaliar as pessoas que estarão envolvidas no processo, isto é, os que realizam o pré-lançamento e aqueles que criam expectativas. Outro passo importante é o treinamento, pois é necessário que os colaboradores sejam agentes de mudanças, para isso é necessário treiná-los, expor exatamente qual é a função e a tarefa de cada um dentro do processo e na organização, bem como se elabore o organograma gerencial como explicação de todas as etapas dos processos para que não haja dúvidas durante a sua execução.

Percebe-se, portanto, que todo treinamento tem maior aproveitamento se o colaborador estiver realmente envolvido na organização, motivado, com vontade de dispor do seu melhor, pois a conscientização e a sensibilização são ferramentas extraordinárias para o êxito objetivado.

A gestão da qualidade implica na implantação de manuais operacionais. Pois, cada atividade terá o seu manual específico. Por exemplo: uma drogaria dispõe do “manual de boas práticas de dispensação”, no qual se regulam todas as atividades que partem do atendimento inicial, realizado pelo balconista e/ou farmacêutico até o término desse contato, que se dar no momento que o cliente realiza o pagamento no caixa.

Outra estratégia fundamental é a “padronização de processos”, pois possibilita, por meio de ferramentas como o ciclo PDCA e seus incrementos a filosofia de melhoria contínua (prevenção) ou mesmo permite visualizar as não-conformidades no fluxo dos processos e aplicar ações corretivas (remédio). Para implantação da gestão da qualidade em micro e pequena empresa pode-se buscar instituições como o SEBRAE, que conta com consultores qualificados e que por meio de avaliações in loco irão auxiliá-los na implantação do programa de gestão da qualidade junto às empresas.

Referências:
MARSHALL JUNIOR, Isnard… [et al] Gestão da qualidade. 10. Ed. – Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010. 204 p. (Gestão empresarial (FGV Management))

 

Autores:

Francisco Edson Pereira Leite
Treinador Comportamental do IFT. professor.edsonleite@hotmail.com

Janio César Mendes Ferreira
Pesquisador do grupo Gestão Econômica dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – UFRR. jangu121@hotmail.com

Jean Carlos Brustolin Alves
Consultor em Gestão da Qualidade do SEBRAE-RR. jeanbrustolin@hotmail.com

Gestão da Qualidade: Conceitos Básicos

Introdução

Na procura de um conceito para o termo qualidade, dificilmente encontrará um significado único, pois o conceito está amplamente utilizado em vários contextos, mas sem um significado específico geral. Diversos autores concordam com alguns aspectos comuns.

• Qualidade é aquilo que atende a necessidade própria com segurança, fácil manuseio e eficaz;
• Está relacionada a um serviço prestado de forma que atendeu as expectativas do cliente;
• Relaciona-se a um preço justo;
• Um produto que funciona corretamente;

Sendo assim o uso comum e domínio público pode citar diversos conceitos, porém, há uma ideia errônea no termo quando conceituado como algo abstrato, estado ideal e inatingível, perfeição, imutável, aspecto subjetivo das pessoas, capacidade do bem ou serviço ser executado de acordo com o projeto inicial, entre outros.

Na Visão Empresarial

O termo qualidade está ligado diretamente aos processos internos, no qual descreve o passo a passo de uma tarefa, pois identifica um padrão, permite que outra pessoa possa executar da mesma forma. Toda essa estrutura processual tem o foco do cliente, são inaceitáveis dois tipos de atendimento, dois cafés diferentes, dois contratos diferentes para uma mesma atividade, ou empresa. A padronização evita o desperdício, permite otimizar o tempo, bem como evitar erros durante o processo. Para a empresa que utilizada da gestão da qualidade é vista perante a sociedade como um modelo de empresa de sucesso, com fortalecimento do seu marketing externo, bem como o marketing interno, outrora automaticamente permite o aumento das vendas. Outro ponto positivo para a empresa é a padronização de processos voltados para suporte técnico, visto que, na ótica do cliente, muitas das vezes, em algum momento ja foi motivo de transtorno, injúria e descontentamento neste setor, sendo assim a gestão da qualidade supri essa demanda organizacional.

Na Visão de cliente

Uma pesquisa realizada com diversos indivíduos com padrões sociais diferentes, com menor escolaridade ao pós-graduado, a resposta foi unânime: um produto que atenda as suas necessidades, produto fácil de usar, produto que funcione no seu ambiente organizacional, saber o que está comprando, suporte Técnico confiável. É visto que o cliente do século XXI é mais exigente, busca qualidade no atendimento com excelência, entre outros pontos, porém pagando um preço aceitável. As empresas que não corresponderem com esse padrão em pouco tempo será demitida do mercado, pois o seu antigo cliente, hoje busca modernidade, padronização, atendimento, rapidez e satisfação, sendo assim, prefere o concorrente.

Um cliente satisfeito é uma excelente fonte de propaganda para a empresa, ao contrário, um cliente insatisfeito dará suas recomendações, colocando em risco a empresa e o trabalho.

 

Autores:

Francisco Edson Pereira Leite
Treinador Comportamental do IFT. professor.edsonleite@hotmail.com

Janio César Mendes Ferreira
Pesquisador do grupo Gestão Econômica dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – UFRR. jangu121@hotmail.com

Jean Carlos Brustolin Alves
Consultor em Gestão da Qualidade do SEBRAE-RR. jeanbrustolin@hotmail.com

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