FIEP Brasil
Federação Internacional de Educação Física - FIEP
FIEP Brasil

Lazer, Recreação e Qualidade de Vida (Por Marilane de Cascia Silva Santos)

Sobre o Autor

Marilane de Cascia Silva Santos
Ipatinga/MG - Brasil
E-mail: marilanesilva@yahoo.com.br

Textos da Coluna



Outras Colunas

 

Novidades da FIEP Brasil

Receba todas as atualizações das colunas e notícias da FIEP em seu e-mail, assine o nosso feed.

E-mail:

Delivered by FeedBurner

 

Lazer e Educação: Busca constante pela valorização desta prática

A origem do Lazer, na forma infinitiva latina de “licere“, que significa o permitido. Sendo ainda em francês “loisir” que dá origem à expressão inglesa “leisure“, que se utiliza tecnicamente para significar tempo livre.

Sabemos que a existência do lazer só acontecera se formos ativos e vislumbramos programações pessoais e coletivas que nos façam refletir esta necessidade de sobrevivência humana.

Para Bramante (1998), o Lazer se traduz por uma dimensão privilegiada da expressão humana dentro de um tempo conquistado, materializado através de uma experiência pessoal… influenciado por fatores ambientais.

O tempo livre é aquele tempo que possuímos para realizarmos as atividades de que mais gostamos, não podendo ser realizadas no tempo de trabalho, familiar, religioso, político ou social. Portanto é necessário darmos valor a este tempo tão precioso na nossa vida. A livre iniciativa é novamente um elemento de simples compreensão, já que as atividades são escolhidas individualmente e que há uma expectativa de satisfação no momento da escolha, é como relata Santos 2011, “O lazer é pessoal e intransferível”.

Entendemos que ao praticar lazer “ativo”, as atividades estarão desenvolvendo expressão motora, resultante de diversos movimentos corporais integrais ou parciais. As praticas de lazer tomaram dimensões extraordinárias visto que sempre existiu o trabalho e o não-trabalho em qualquer sociedade.

As atividades de Lazer devem procurar atender as pessoas no seu cotidiano. Assim sendo necessário que essas pessoas conheçam os conteúdos que satisfaçam os vários interesses, tendo conhecimento das alternativas que o lazer oferece.

Com este propósito e o real aumento do tempo livre, houve uma transição do mundo do trabalho para o mundo do ócio onde a reação das pessoas diante de tal transição buscou se atentar para o papel da educação diante das praticas de lazer, enfatizando o caminho para uma sociedade centrada neste lazer.

As pessoas, em sua maioria, acreditam ter mais tempo para dedicar a sua família, ao seu aprendizado, aos seus afazeres domésticos, a trabalhos voluntários e principalmente ao seu lazer. É preciso, porém, num primeiro momento analisar o quanto de tempo e de que forma transcorrerá o processo até que se alcance esse futuro, se sua recepção será tão positiva quanto sua previsão e finalmente, estarão às pessoas prontas de fato para desfrutarem desse tempo livre?

Martin e Mason (1987) assinalam que a educação para o lazer deve envolver várias organizações educativas, desempenhando as instituições de educação formal um papel cada vez mais ativo nesta área. Dando suporte na busca pela melhoria desta educação e o comprometimento de pessoas na existência desta interação Escola, Lazer e Sociedade.

No Brasil, especialmente com a CF/1988, é que o lazer começou a ser discutido mais intensamente, já que ela o trouxe no seu art. 6º, como direito social, ao lado de outros, por exemplo, a saúde e a educação.

Temos que valorizar o lazer através da educação aprendendo a trabalhar e administrar melhor nosso tempo livre, aqui entendido como aquele que sobra do tempo do trabalho e aquele que sobra pela falta de trabalho. Há, portanto, a necessidade de nos prepararmos especialmente pela educação, para usufruírem adequadamente o mundo do lazer buscando melhor qualidade de vida para todos.

A Interferência do Bullying na Qualidade de Vida: necessidade de atenção

A qualidade de vida é um conceito holístico, relaciona-se com as experiências atuais e passadas do indivíduo. Dificilmente pode ser completamente operacionalizado através de um instrumento e coloca-se uma razoável dúvida sobre a “melhor” definição.

O Bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. É necessário dar atenção a este fenômeno tão prejudicial à vida dos seres humanos, pois o termo Bullying compreende diversas formas de agressividade, sendo estas, de maneira intencional e repetitiva, com ou sem motivos aparentes. Estas agressões acontecem no ambiente escolar por um ou mais estudantes contra outro, e é entendido que causa traumas e estabelece uma relação de desigualdade entre os mesmos. Será que estamos atentos aos problemas que acometem nossas crianças e ate mesmo adultos nos diversos locais da sociedade?

O Bullying pode ser manifestado em qualquer lugar onde existam relações interpessoais e não só na escola, mas para Freire, 1996, “Faz parte igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação. A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano que nega radicalmente a democracia[...]” (p. 17). E as conseqüências deste fenômeno podem trazer danos na vida escolar e até psicológicos aos indivíduos envolvidos, tornando-os adultos com comportamentos anti-sociais, ocupando eles a posição de agressores, agredidos ou espectadores. Este tipo de violência se manifesta, sutilmente, sob a forma de brincadeiras, apelidos, trotes, gozações e agressões físicas, (Lopes Neto e Savedra, 2003; Fante, 2005). Para tanto é necessário compreender o papel dos profissionais e da família no processo de aprendizagem entendendo que esta realidade não deveria fazer parte do convívio escolar e proporcionar a crianças e adolescentes conhecimentos e possibilidades de aprender em um ambiente tranqüilo e de melhor convívio social.

A qualidade de vida esta ligada ao desenvolvimento humano. Não significa apenas que o indivíduo ou o grupo social tenham saúde física e mental, mas que esteja(m) bem com eles mesmos, com a vida, com as pessoas que os cercam, enfim, ter qualidade de vida é estar em equilíbrio. E esse equilíbrio diz respeito ao controle sobre aquilo que acontece a sua volta, como por exemplo, sobre os relacionamentos sociais. Mas se o indivíduo não tem ou não consegue ter esse controle, poderá controlar a maneira com que reage a esses acontecimentos, essas ações.

Para garantir uma boa qualidade de vida, deve-se ter hábitos saudáveis, cuidar bem do corpo, ter tempo para lazer e vários outros hábitos que façam o indivíduo se sentir bem, que tragam boas conseqüências, como usar o humor pra lidar com situações de stress, definir objetivos de vida e, o principal, sentir que tem controle sobre a própria vida.

Entende-se, portanto que a qualidade de vida é a maneira como o indivíduo se percebe como ele se posiciona na sociedade. Sociedade esta que para Durkheim Émile, é um organismo em que há a presença de dois estados um normal e outro patológico. Seu objetivo máximo é a harmonia consigo mesma e com as outras sociedades por meio de um consenso.

Sendo assim, devemos estar atento as agressões de qualquer espécie, conflitos de valores, e a influência da mídia observando quais são os novos paradigmas sociais. Valorizar a qualidade de vida destes indivíduos tornou se uma responsabilidade para nos que somos co-responsáveis por proporcionarmos uma vida “normal” para estes indivíduos.

Em “Pais brilhantes professores fascinantes” Cury (2003), afirma: – “Há um mundo a ser descoberto dentro de cada jovem, mesmo dos mais complicados e isolados. Muitos jovens são agressivos e rebeldes, e seus pais não percebem que eles estão gritando através de seus conflitos.” (p. 43)

Valorizar regras e valores na tentativa de oportunizar melhora na qualidade de vida, desperta melhor convívio destes indivíduos na sociedade. Esta na hora de buscar autonomia e evidenciar o prazer de se viver que para Tiba, 1998, “É o momento de tomar uma atitude. As atitudes precisam ser coerentes, constantes e conseqüentes, isto é, necessitam do endosso de todos os professores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CURY, A.J. – Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. Tradução de Pietro Nassetti- Ed. Martin Clareto – São Paulo, 2007. .
FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: Como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. ISBN, 2005, 224 pags.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa – São Paulo: Paz e Terra, 1996.
SANTOS, M. C. Silva, VARGAS, Angelo. Analise da qualidade de vida e ênfase na interferência do Bullying no processo de aprendizagem dos alunos de 09 a 12 anos inseridos nas escolas Municipais da Cidade de Ipatinga – MG: Uma revisão de literatura. Congresso Sudamericano do MERCOSUL, 2011.

A Busca da Qualidade de Vida na Cidade de Ipatinga – MG

A qualidade de vida é sem duvidas uma busca incansável pelo bem estar físico, mental e social e que reflete em uma satisfação harmoniosa dos objetivos e desejos de uma pessoa que seria a abundancia dos aspectos positivos somada à ausência de aspectos negativos.

Ipatinga é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, pertence à mesorregião do Vale do Rio Doce e fica cerca de 209 quilômetros da capital Belo Horizonte. Sua população foi contada em 2010 pelo IBGE em 239 177 habitantes, sendo assim o décimo mais populoso do estado de Minas Gerais e o primeiro de sua microrregião. A cidade localiza-se exatamente no local em que as águas do rio Piracicaba se encontram com o rio Doce. Sua área é de 165,509 km², sendo que 22,9245 km² estão em perímetro urbano.

A cidade de Ipatinga caracterizada por ser uma cidade industrial em busca da diversificação de sua economia e geração de renda através das atividades turísticas, aproveitando assim sua beleza natural, cuja área verde é equivalente a 127 metros quadrados por habitante proporcionando um grande diferencial da cidade na busca e melhoria da qualidade de vida desta população.

O Parque Ipanema é um complexo de lazer iniciado no final dos anos 70 e é considerado hoje o ponto turístico e de lazer por apresentar uma vista maravilhosa e possuir cerca de um milhão de metros quadrados com 12 mil árvores plantadas estando localizado no coração da cidade e ser aberta a toda a população e possui outros setores de lazer como o Estádio Epaminondas Mendes Brito, o Ipatingão, inaugurado em 1982, o Centro Esportivo e Cultural 7 de Outubro, o Kartódromo Emerson Fittipaldi, O Centro Cultural Usiminas que possui dois grandes espaços: o Teatro e a Galeria de Arte Hideo Kobayashi. Ambos foram desenvolvidos para satisfazer as expectativas de artistas e produtores e do público em geral, o Horto Municipal que abastece de mudas o Departamento de Parques e Jardins e sedia o projeto Farmácia Verde – distribuição de plantas fitoterápicas para a população, uma biblioteca ecológica (Ecoteca), e a antiga Maria-fumaça que circula pela Estrada de Ferro Caminho das Águas, nas margem direita do Ribeirão Ipanema, além da área de lazer, com pista para caminhadas, lago com ilha, cata-ventos, brinquedos, anfiteatro e quadras poliesportivas. Este projeto é de autoria do paisagista Roberto Burle Marx, e foi um dos últimos concebidos antes de sua morte.

O Parque conta com iluminação, sinalização, sanitários, bebedouros e lixeiras de polietileno e este espaço tem sido palco de caminhadas, corridas, atividades recreativas e de jogos por todas as faixas etárias. O objetivo principal é melhorar a qualidade de vida da população que representa na pos modernidade, uma forma de explicar subjetivamente o que é viver bem, estar satisfeito ou feliz consigo mesmo e ainda com o mundo ao seu redor.

Para garantir esta qualidade de vida é fundamental adotar hábitos saudáveis, praticar atividades físicas regularmente e manter uma alimentação equilibrada. Porém não é fácil conceituar qualidade de vida a partir do principio que as praticas de lazer e outros valores são para Santos 2008, pessoais e intransferíveis.

A qualidade de vida tão almejada por alguns seres humanos se depara com colocações e interesses que nem sempre vem de encontro com a necessidade humana gerando, portanto discussões acerca desta temática. Percebe-se desta forma que a qualidade de vida é um conceito muito amplo, onde se busca o equilíbrio social minimizando a desigualdade, eliminando a miséria, favorecendo o pleno exercício da cidadania e o crescimento social.

Portanto esta qualidade de vida em busca da melhoria da saúde e bem estar, não deve se resumir aos aspectos sociais, físicos e emocionais, mas que estes aspectos sirvam de parâmetro para uma vida mais feliz e de alterações positivas durante o processo de desenvolvimento e do envelhecimento saudável.

Estádio Ipatingao

Estádio Ipatingao

Parque Ipanema

Parque Ipanema

História do Lazer no Brasil: Como valorizar esta pratica?

No Brasil, observando suas características próprias, é a partir do momento da transição da sociedade tradicional para a sociedade moderna, que há uma ruptura entre a vida como um todo e o lazer, este adquirindo assim uma significação própria. O lazer está inserido então em dois estágios da sociedade brasileira, o tradicional quase inexistente e o moderno dominando o cenário nacional. De acordo com Marcellino (2002), “mesmo que convivam, ainda hoje, os dois ‘modelos’ de sociedade, em diferentes regiões do país, os valores veiculados pela indústria cultural, através de meios de comunicação de massa, são os da sociedade moderna – urbano-industrial, fazendo com que as questões relativas ao lazer sejam entendidas a partir desses valores hegemônicos”.

É necessário considerar alguns elementos para conceituar o lazer, todavia existe alguns pontos que os autores vêem como comuns e necessários para definir – lo. Exemplos: atividades realizadas sem obrigação, num tempo disponível, que proporcione momentos de prazer e alegria, desenvolvendo aspectos na vida do indivíduo como o pessoal, intelectual, mental e/ou físico e de acordo com Dumazedier apud Marcellino (1987) o lazer é “Um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou ainda para desenvolver sua formação desinteressada, sua participação social voluntária, ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais”.

Marcellino (2002) assevera “A possibilidade de escolha das atividades e o caráter ‘desinteressado’ de sua prática são características básicas do lazer.”, portanto as atividades que seguirem esse pressuposto podem vir a ser consideradas lazer. Mas não podemos isolar o lazer das outras áreas de atuação humana, ele se inter-relaciona com estas. Senão se levar isso em conta poderão ocorrer uma série de equívocos, “Um deles se manifesta na valorização unilateral das atividades de lazer, que não leva em conta uma série de riscos, como as possibilidades de sua utilização como fuga, fonte de alienação e simples consumo”, afirma Marcellino (2002).

Sabe-se hoje que o lazer e a recreação são tão importantes na vida do ser humano que, na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no parágrafo 3º do artigo 217 garante: “O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social”. Além disso também a Constituição traz no capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º que, “IV- salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas a as de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, …”. O lazer, como explicitado na própria Constituição Federal é, uma necessidade vital básica e portanto um direito do cidadão brasileiro. Falaremos a seguir mais sobre o lazer e uma de suas práticas mais comuns, a recreação.

Para outros estudiosos, o lazer é fruto da sociedade urbano-industrial. Segundo Marcellino (2002), “não há, a rigor, uma rejeição entre as duas correntes, mas sim enfoques diferentes: a primeira aborda a ‘necessidade de lazer’, sempre presente, e a segunda se detém nas características que essa necessidade assume na sociedade moderna”.

Sabemos que verdadeiramente o lazer é tão antigo quanto o homem. É o que nos diz Brunhs (1997), “As civilizações antigas não tinham um nome para lazer no sentido que conhecemos hoje. É verdade que o jogo e o brinquedo são fatos tão ou mais antigos que o homem”. Ou seja, na antiguidade já se praticava lazer, só que este não era denominado assim.

Para Marcellino (1987) o lazer como é “uma necessidade importante do homem, em todos os tempos e lugares, que varia apenas de intensidade e de forma de expressão, segundo o contexto físico, sócio-econômico e político-social de cada grupo”.

Deste tempo até o lazer moderno, muitas coisas mudaram, e para melhor entendê-lo há que se compreender como os homens vivem e viveram seus tempos, o de trabalho e o de não-trabalho e quando começou a distinguir os dois. “Vale alertar que essa ‘transição’ é relativa; de um lado tanto o brinquedo e as brincadeiras continuam existindo em sua especificidade, como também o jogo; de outro lado, formas relacionadas à indústria do turismo e do entreterimento colocam dimensões novas e peculiares ao lazer de nossos dias.”, afirma Bruhns (1997).

Página Inicial Fale conosco Termo de Uso Política de Privacidade

Federação Internacional de Educação Física - FIEP
fiepbrasil.org © 1996 - 2011.
As opiniões publicadas nas Colunas são de responsabilidade dos seus autores e não representam necessariamente a opinião da FIEP.

Powered by WordPress.