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Lazer, Sustentabilidade e Responsabilidade Social (Por Francisco Edson Pereira Leite)

Sobre o Autor

Francisco Edson Pereira Leite
Boa Vista/RR - Brasil
Site: http://www.bemestartreinamentos.com.br
E-mail: professor.edsonleite@hotmail.com

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Filosofando para o lazer socioambiental

Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja, simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo (MASI, 2000).

O referido pensamento nos remete a fazer as seguintes reflexões: por que nos submeter a um trabalho torturante? Por que trabalho, conhecimento e diversão não podem constituir uma única e mesma atividade? Devemos trabalhar oito horas, dormir oito horas e ter oito horas de ócio? Ou precisamos incluir, no cotidiano, atividades que reúnam o descanso, o lazer, o trabalho e a aprendizagem? .

De acordo com essa concepção filosófica abordaremos aqui as implicações do lazer na vida do homem e suas implicações na sustentabilidade do meio ambiente e a responsabilidade social. Pois, segundo Aristóteles o Estado se compõe de uma comunidade de famílias e essas por sua vez compõem-se dos seguintes elementos: o chefe; a mulher, os filhos, os bens e os escravos.

Visto que o estado se compõe de uma comunidade de famílias, assim como estas se compõem de muitos indivíduos, antes de tratar propriamente do estado será mister falar da família, que precede cronologicamente o estado, como as partes precedem o todo. Segundo Aristóteles, a família compõe-se de quatro elementos: os filhos, a mulher, os bens, os escravos; além, naturalmente, do chefe a que pertence a direção da família. Deve ele guiar os filhos e as mulheres, em razão da imperfeição destes. Deve fazer frutificar seus bens, porquanto a família, além de um fim educativo, tem também um fim econômico. E, como ao estado, é-lhe essencial a propriedade, pois os homens têm necessidades materiais. No entanto, para que a propriedade seja produtora, são necessários instrumentos inanimados e animados; estes últimos seriam os escravos. (MUNDO DOS FILÓSOFOS, 2011)

Embora Aristóteles não negue a natureza humana ao escravo, considera que em decorrência da ocupação de seu tempo e pela falta de liberdade com o trabalho, não resta a possibilidade de providenciar a cultura da alma. Embora nos dias atuais não exista a “formalização da escravidão” nos moldes antigos, no entanto, percebe-se na sociedade atual outras formas de escravidão no trabalho e, portanto, a insuficiência dos horários de lazer e, conseqüentemente, a falta de tempo para alimentar a cultura da alma, tal qual, Aristóteles já descrevia.

Em sua obra intitulada “Política” Aristóteles defende que [...] Na cidade com o melhor conjunto de normas e naquela dotada de homens absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma vida de trabalho trivial ou de negócios – esses tipos de vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades morais, tampouco devem ser agricultores os aspirantes à cidadania, pois o lazer é indispensável ao desenvolvimento das qualidades morais e à prática das atividades políticas.

Também por isso Aristóteles, assim como Platão, fazem duras críticas ao Estado, que por meio de seus aparelhos ideológicos colabora com a formação de uma sociedade alienada. Na antiguidade era a educação militar de Esparta, que preparava os jovens para a guerra, já na atualidade é a educação neoliberalista que prepara os indivíduos para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e para a busca incessante de bens e consumos, sem levar em consideração os efeitos destes abusos para a sustentabilidade da vida no planeta.

Eis porque Aristóteles, como Platão, condena o estado que, ao invés de se preocupar com uma pacífica educação científica e moral, visa a conquista e a guerra. E critica, dessa forma, a educação militar de Esparta, que faz da guerra a tarefa precípua do estado, e põe a conquista acima da virtude, enquanto a guerra, como o trabalho, são apenas meios para a paz e o lazer sapiente. (MUNDO DOS FILÓSOFOS, 2011)

Etimologicamente a palavra Negócio (NEC – OTIUM) significa negar o ócio. Assim, segundo Ayub o advento da sociedade capitalista exige a ampliação dos negócios vindos de uma classe habituada a trabalhar. Naturalmente é estabelecido um código moral, uma espécie de responsabilidade social, onde é necessário o envolvimento em uma atividade produtiva que se transforme em produtos e/ou serviços que por sua vez vão gerar lucros. Isto na visão do referido autor faz com que o trabalho intelectual, anteriormente valorizado, passe a ser indigno. Pois, o ócio, antes necessário, passa a ser motivo de exclusão social.

Assim, em consonância com a citação de MASI, (2000) surge a seguinte questão: pode a qualidade de vida do ser humano ter como ferramenta o lazer e a responsabilidade socioambiental, tanto no trabalho, como no cotidiano das pessoas?

Consideramos e acreditamos que sim, pois a preservação do meio ambiente é possível por meio de atividades de lazer praticadas no ócio e, nesse tocante, o lazer ganha força nas atividades praticadas fora do ambiente de trabalho, por ser um meio privilegiado para o desenvolvimento pessoal, social e econômico, bem como um aspecto importante da qualidade de vida, que são fatores essenciais do desenvolvimento socioambiental para a sustentabilidade do planeta, tanto hoje quanto num futuro indefinido.

Portanto, recomendamos que pratiquem atividades físicas no “Ócio” (tempo livre), com enfoque em sustentabilidade, como forma de lazer para o bem-estar biopsicossocial e a responsabilidade socioambiental!

REFERÊNCIAS

AYUB, Monica. http://www2.uol.com.br/vyaestelar/ocio_criativo.htm acesso em 02/10/2011 18:30
MASI, Domenico de. O Ócio Criativo. Rio de Janeiro, Sextante. 2000.
MUNDO DOS FILOSOFOS. http://www.mundodosfilosofos.com.br/aristoteles2.htm acesso em 02/10/2011 11:40

AUTORES
Francisco Edson Pereira Leite
Treinador Comportamental pelo IFT. professor.edsonleite@hotmail.com

Janio César Mendes Ferreira
Pesquisador do grupo Gestão Econômica dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – UFRR. jangu121@hotmail.com

Jean Carlos Brustolin Alves
Consultor de Gestão da Qualidade do SEBRAE-RR. jeanbrustolin@hotmail.com

Um Enfoque Sociológico

A percepção de que um conhecimento nunca está isolado de outros é fundamental, pois não existe uma área do conhecimento humano detentora da verdade absoluta sobre qualquer nova produção. Portanto, tal entendimento é o que nos permite o fascínio pelo estudo e por pesquisas inovadoras.

Desta forma, pautados na sociologia apresentamos uma percepção referente ao contexto do lazer e suas implicações para a vida em sociedade, bem como suas relações com o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social, que abrangem tanto as corporações quanto os indivíduos em geral.

Em uma palestra realizada na IV Jornada de Educação na cidade de Boa Vista-RR, o professor Hani Awad afirmou que “os seres humanos somos preparados para o trabalho e não para o ócio, isto é, sabemos exatamente o que temos de fazer quando estamos trabalhando, mas muitas vezes não conseguimos identificar o que fazer em nossos momentos livres.”

Este pensamento nos remete à teoria marxista, que propõe uma visão integradora e científica da realidade social e política. De acordo com o site infopédia, o marxismo defende que a transformação da sociedade depende do processo histórico, o que fez a sociedade industrial criar uma nova classe trabalhadora, o proletariado industrial, massa social de origem rural que foi para as fábricas das cidades.

De acordo com Fernandes et. all. “nas sociedades rurais não havia uma separação entre as esferas da vida do homem, pois o local de trabalho muitas vezes era na própria moradia e, desta maneira, trabalho e lazer se confundiam. Na sociedade moderna, marcadamente urbana, a industrialização acentuou a divisão social de trabalho, o que se caracterizou divisor entre trabalho e lazer.”

Já, segundo Padilha (2000), na visão Marxista, o trabalho e o lazer são atividades complementares e não opostas, assim, problemas em uma esfera provocam problemas também na outra esfera. Assim de acordo o raciocínio dialético e baseado em Werneck (2002), o qual afirma, que mesclado com o consumo, o lazer se torna uma via de diferenciação entre classes e grupos sociais.

Percebe-se então que existe o lazer dos grupos ricos e o das classes menos favorecidas, pois parece que apenas por meio do consumo dos produtos industrializados é possível se alcançar a felicidade.

Nesta abordagem apresentamos o pensamento complexo de Edgar Morin, que faz alusão da união entre a simplicidade e complexidade, o que implica em processos como selecionar, hierarquizar, separar, reduzir e globalizar.

Sua teoria está pautada nos sete saberes que são: Reconhecer as cegueiras do conhecimento, seus erros e ilusões; Assumir os princípios de um conhecimento pertinente; A condição humana; A identidade planetária; Enfrentar as incertezas; A compreensão; e a Ética do gênero humano.

Assim, Edgar Morin propõe uma total reorganização da educação, não apenas no ato de ensinar, mas na transformação que envolva o repensar das disciplinas como porta-arquivo isolados uns dos outros com suas verdades isoladas, o que se traduz em um processo de ensino-aprendizagem, onde o fim está na mera transmissão de conteúdos e não na construção de conhecimentos, na formação e transformação do ser enquanto cidadão.

Desta forma entendemos que não apenas a Educação Física, mas as outras áreas do conhecimento humano devem assumir a responsabilidade social de colaborar com a orientação na formação de pessoas “conscientes” do seu papel para sustentabilidade da vida no planeta, fator essencial para o desenvolvimento socioambiental e o lazer no ócio.

REFERÊNCIAS

marxismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-09-03]. Disponível na www: http://marxlutte.webs.com/artigosetextos.htm
PADILHA, Valquíria. Tempo livre e Capitalismo: um par imperfeito. Campinas: Alínea, 2000.
WERNECK, Christianne L. G. Lazer e formação profissional na sociedade atual: repensando os limites, os horizontes e os desafios para área. Licere, Belo Horizonte, 2002.
FERNANDES, E.R. HÚNGARO, E.M. ATHAYDE, P.F. Lazer, trabalho e sociedade: notas introdutórias sobre o lazer como um direito social. . Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd155/o-lazer-como-um-direito-social.htm. Acesso em 03/09/2011 16:00h.
SATIRO, Angélica. Revista Linha Direta. Publicação Mensal dos Sinepes e da AEBJ, Ano 5, nº 57, 2002 O pensamento complexo de Edgar Morin e sua Ecologia da ação. Disponível em: http://edgarmorin.org.br/textos.php?tx=57. Acesso em 03/09/2011, 17h.

AUTORES

Francisco Edson Pereira Leite
Treinador Comportamental pelo IFT. professor.edsonleite@hotmail.com

Janio César Mendes Ferreira
Pesquisador do grupo Gestão Econômica dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – UFRR. jangu121@hotmail.com

Jean Carlos Brustolin Alves
Consultor de Gestão da Qualidade do SEBRAE-RR. jeanbrustolin@hotmail.com

Lazer, Sustentabilidade e Responsabilidade Social – Conceituando o Tema

As Contradições entre o binômio “desenvolvimento e meio ambiente” evidenciaram os problemas de fragmentação social, a partir da década de 1970. assim, as questões socioambientais passaram a compor a prioridade das agendas dos governos de todo planeta. Pois, os efeitos desta crise global estão relacionados à forma insustentável de exploração dos recursos naturais e humanos, intensificada com o advento da Revolução Industrial. Vale salientar que essas mudanças estruturais ocorridas com a globalização fortalecem a necessidade de práticas do lazer em atividades realizadas fora do ambiente de trabalho, por ser um meio privilegiado para o desenvolvimento pessoal, social e econômico, bem como um aspecto importante da qualidade de vida.

Nesse contexto, nos propusemos nesse primeiro contato a abordar na coluna intitulada “Lazer, Sustentabilidade e Responsabilidade Social”, uma série de conceitos que fundamentam estas temáticas. Conforme nos mostra Hani apud Ribeiro et. all. (2010) o lazer tem sido motivo de discussão em nossa sociedade, devido à sua complexidade e amplitude, crer-se que não exista um conceito de lazer universalmente aceito.

No entanto, Oleias (2003) afirma que o conceito de lazer segue em linhas gerais a idéia que historicamente, é uma atividade necessária ao desenvolvimento biopsicossocial do homem, estando relacionado à disponibilidade do tempo livre e, geralmente, sempre esteve mais relacionado às classes privilegiadas pela sua situação sócio-econômica mais favorável e, ao mesmo tempo, a prática do lazer é influenciada, sobretudo, pelo Estado na medida em que este pode programar políticas públicas para o setor, bem como oferecer espaços físicos necessários e adequados para a sua execução.

Já, a sustentabilidade tem sido tema de debate de diversos setores da sociedade. Pois, a preocupação com o meio ambiente é o alvo de inúmeros encontros em diferentes setores da sociedade, desde as reuniões dos líderes mundiais até as assembléias de condomínio.

Assim, de acordo com a definição do dicionário Michaelis, Sustentabilidade: sus.ten.ta.bi.li.da.de sf (sustentável+i+dade) qualidade de sustentável. Sustentável: sus.ten.tá.vel adj m+f (sustentar+vel) que pode ser sustentado. Na verdade sustentabilidade não é um mero conceito, seu entendimento deve ir além da semântica ou do significado da palavra, do mesmo modo que Sachs (2000) defende que a sustentabilidade constitui-se num conceito dinâmico, que leva em conta as necessidades crescentes das populações, num contexto internacional em constante expansão. Foladori, (1999), corrobora com a afirmação de que a Sustentabilidade, associada ao desenvolvimento, inclui não somente o legado às futuras gerações de um mundo material (biótico e abiótico) igual ou melhor que o atual, mas também uma equidade nas relações entre as gerações atuais.

Por fim apresentamos a responsabilidade social, que conforme a visão de Ghilardi (2009) é um conceito, segundo o qual, as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo. [...], isto é, a Responsabilidade Social diz respeito ao cumprimento dos deveres e obrigações dos indivíduos e empresas para com a sociedade em geral. Já, de acordo com Daft (1999, p. 88) “a responsabilidade social é a obrigação da administração de somar decisões e ações que irão contribuir para o bem-estar e os interesses da sociedade e da organização”. Portanto, sabe-se que a responsabilidade social é parte integrante do conceito de desenvolvimento sustentável e é apresentada por Neto e Froes (2001, p. 91) como “um dos três pilares que fundamentam o desenvolvimento sustentável. Visto que o desenvolvimento sustentável resume-se em prover o melhor para as pessoas e para o ambiente, tanto agora quanto para o futuro indefinido”.

A partir desta visão, abordaremos em nossa coluna três temas distintos, mas indissociáveis e que permitem diversas interpretações, o que torna um desafio instigante encontrar o ponto de intercessão destes assuntos e como eles se relacionam com a Educação Física, afinal, nós os Profissionais da área, recebemos o “convite compulsório” de acompanhar a evolução global dos mercados e as novas exigências da sociedade no contexto mais amplo do desenvolvimento socioambiental.

REFERÊNCIAS

DAFT, Richard L. Administração. 4º ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1999.
FOLADORI, G. Sustentabilidad Ambiental y Contradicciones Sociales. Ambiente & Sociedad – Ano II – nº 5, 2º semestre, 1999.
FRÓES, C; MELO NETO, F. P. Gestão da responsabilidade social corporativa, o caso brasileiro: da filantropia tradicional à filantropia de alto rendimento e ao empreendedorismo social. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001.
GHILARDI, Renato. Conceito de Responsabilidade Social. Disponível em http://forumgrx.forumbrasil.net/t7-conceito-de-responsabilidade-social Acesso em 06 de Agosto de 2011 às 11:40h.
MICHAELIS. Dicionário. Disponível em:
OLEIAS, V. J. Disponível em: . Acesso em 04 de Agosto de 2011, 22:00h.
RIBEIRO, I.V. ALVES, J.C.B. FERREIRA, J.C.M. Recreação Aquática: dos 8 aos 80 anos. Editora da UFRR, Boa Vista-RR: 2010.
SACHS, I. Sociedade, cultura e meio ambiente. In: PGCA. Mundo & Vida: alternativas em estudos ambientais, n.1, jan.-dez. Niterói: UFF, p.7-14, 2000.
SOUZA, L.G.N de. O conceito de lazer e seus vários estudiosos. http://www.webartigos.com/articles/16030/1/O-CONCEITO-DE-LAZER-E-SEUS-VARIOS-ESTUDIOSOS/pagina1.html#ixzz1U7AQZEjk Acesso em 04 de Agosto de 2011, 21:45h.

 

Autores:

Francisco Edson Pereira Leite
Treinador Comportamental pelo IFT. professor.edsonleite@hotmail.com

Janio César Mendes Ferreira
Pesquisador do grupo Gestão Econômica dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – UFRR. jangu121@hotmail.com

Jean Carlos Brustolin Alves
Consultor de Gestão da Qualidade do SEBRAE-RR. jeanbrustolin@hotmail.com

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